Ex caminhoneiro e agora deputado Zé Trovão. Foto: CNTA
Uma pesquisa encomendada pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e apresentada na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados revelou um panorama preocupante sobre os caminhoneiros autônomos brasileiros. O levantamento, realizado em maio deste ano com 1.006 motoristas de todas as regiões do país, apontou que 99% da categoria é composta por homens, com idade média de 46 anos e 17 anos de profissão.
Além disso, os caminhoneiros trabalham, em média, 12 horas por dia, com um rendimento de R$ 39,50 por hora trabalhada. O estudo também indicou que muitos profissionais negligenciam a saúde e fazem uso de medicamentos e outras substâncias para se manterem acordados por longas jornadas.
O envelhecimento da categoria e a falta de incentivos para novos profissionais preocupam os especialistas. Segundo o assessor da CNTA, Alan Medeiros, 54% dos caminhoneiros pensam em deixar a profissão, enquanto apenas 46% desejam permanecer.
— Quase metade dos caminhoneiros acredita que nunca há, por parte do governo federal, ações de fato para incentivar a categoria a permanecer na estrada — afirmou Medeiros.
A pesquisa também apontou problemas como insegurança nas estradas, falta de locais adequados para descanso e dificuldades na renovação da frota.
O presidente da CNTA, Diumar Bueno, destacou que a profissão precisa ser mais valorizada, garantindo melhores condições de trabalho, segurança e um frete mais justo.
— Hoje os caminhoneiros autônomos são altamente explorados por atravessadores e agenciadores de carga, empresas que não possuem caminhões próprios e dependem exclusivamente do serviço desses profissionais — declarou Bueno.
A precarização do setor também foi criticada pelo deputado Zé Trovão (PL-SC), que sugeriu o debate. Para ele, é essencial melhorar a qualidade das rodovias e ampliar investimentos no transporte rodoviário.
— O caminhoneiro só pensa em cumprir horário, encontrar um lugar bom para dormir e um posto barato para abastecer. Nós temos a responsabilidade de garantir a ele aquilo que ele não consegue enxergar diante de seus olhos — afirmou o parlamentar.
Representantes do governo federal reconheceram os desafios enfrentados pelos caminhoneiros e destacaram algumas iniciativas em andamento.
José Amaral Filho, superintendente da ANTT, alertou para os impactos que a falta de motoristas pode gerar, principalmente no transporte de grãos, setor fundamental para a economia do país.
Já Leonardo Rodrigues, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), mencionou a necessidade de aumentar a quantidade de pontos de parada e descanso ao longo das rodovias federais. Atualmente, existem apenas 94 pontos credenciados, número insuficiente para atender à demanda da categoria.
Diante desse cenário, o presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas de São Paulo (Fetrabens), Norival de Almeida Silva, fez um alerta:
— O Brasil não pode esperar um apagão no transporte para tomar medidas concretas em relação aos caminhoneiros autônomos.
Com 1,9 milhão de profissionais transportando 80% das cargas do país, o setor pede atenção urgente. Sem medidas eficazes para melhorar as condições de trabalho, o transporte rodoviário brasileiro pode enfrentar um grave colapso nos próximos anos.
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