
Caminhoneiro sob efeito do rebite. Foto: reprodução
O uso de rebite, nome popular das anfetaminas, ainda é uma prática comum entre alguns caminhoneiros que desejam aumentar o tempo de direção e reduzir o cansaço. No entanto, essa substância é proibida e pode gerar graves consequências para quem for flagrado portando ou utilizando esse tipo de droga.
Na prática, quando um caminhoneiro é pego com rebites no caminhão, ele pode enfrentar penalidades legais e administrativas, além de colocar sua própria vida e a de outros motoristas em risco.
Se durante uma abordagem de rotina a Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontrar rebites no caminhão ou no bolso do motorista, ele poderá ser enquadrado no artigo 28 da Lei de Drogas (Lei 11.343/2006). Isso significa que, embora o porte para consumo pessoal não leve à prisão, o caminhoneiro sofrerá sanções como:
Lavratura de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), documento que o obriga a comparecer à Justiça posteriormente.
Cumprimento de medidas socioeducativas, como advertência, prestação de serviços à comunidade ou participação em cursos sobre os riscos das drogas.
Se, além de portar, ele estiver dirigindo sob efeito da substância, as penalidades aumentam. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê:
Multa gravíssima de R$ 1.467,35 (artigo 165 do CTB).
Suspensão do direito de dirigir por 12 meses.
Retenção do veículo até que outro condutor habilitado assuma a direção.
Obrigação de cumprir 11 horas de descanso ininterrupto antes de seguir viagem.
Os rebites são estimulantes que ajudam a reduzir o sono, mas seu uso frequente pode causar graves danos à saúde. Entre os principais efeitos colaterais estão:
Aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial.
Alterações no comportamento, como agressividade e irritabilidade.
Déficit de atenção e reflexos reduzidos, aumentando o risco de acidentes.
Dependência química, levando o motorista a usar doses cada vez maiores para manter o efeito.
Além disso, um motorista sob o efeito de rebite pode sofrer apagões repentinos ao volante, o que pode causar acidentes fatais.
Casos de caminhoneiros flagrados com rebite são frequentes nas rodovias brasileiras. No último sábado (22), a PRF apreendeu 30 comprimidos de anfetamina com um caminhoneiro em Marília (SP). Ele admitiu que comprou a substância no Rio Grande do Sul para conseguir dirigir por mais tempo até Goiás.
Outro caso ocorreu na BR-010, no Maranhão, onde um caminhoneiro foi flagrado com 30 comprimidos de Nobésio extraforte e cocaína. Ele alegou que usava as drogas para suportar longas viagens transportando gado. Apesar das infrações, ele foi liberado após cumprir o período obrigatório de descanso.
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