
Caminhoneiro idoso Foto: brian wilson
Sem reformas na Previdência, motoristas de carga enfrentam cenário alarmante de envelhecimento nas estradas
Um estudo recente sobre o sistema previdenciário brasileiro acendeu um alerta: se não houver mudanças estruturais, brasileiros podem demorar até 78 anos para conseguir se aposentar. Entre os mais afetados estão os caminhoneiros, profissionais que já enfrentam longas jornadas, riscos nas estradas e pouca valorização social.
De acordo com especialistas, a conta não fecha: a informalidade, a contribuição irregular e os baixos salários de boa parte da categoria tornam a aposentadoria um sonho cada vez mais distante. Muitos motoristas, especialmente autônomos, não conseguem contribuir de forma contínua com o INSS, o que dificulta atingir o tempo mínimo exigido para aposentadoria.
A rotina dos caminhoneiros brasileiros é marcada por jornadas exaustivas, muitas vezes acima do permitido por lei, além de condições de trabalho precárias. “A estrada não perdoa. Aqui, ou você trabalha até o corpo parar ou para de vez, sem segurança nenhuma”, desabafa João Marcos, caminhoneiro há 32 anos.
Para se aposentar por idade, o trabalhador precisa ter pelo menos 65 anos (homens) e 62 anos (mulheres), além de pelo menos 15 anos de contribuição ao INSS. Já por tempo de contribuição, a regra de transição exige pontuações que aumentam gradualmente, tornando o processo ainda mais demorado — especialmente para quem já enfrenta dificuldades para contribuir regularmente.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que mais de 70% dos caminhoneiros autônomos não conseguem contribuir todos os meses com a Previdência. Isso significa que muitos desses trabalhadores sequer terão direito ao benefício integral, sendo forçados a seguir ativos na profissão mesmo com idade avançada.
E o cenário pode piorar: com a expectativa de vida aumentando e sem uma nova reforma da Previdência, os prazos podem se estender ainda mais. Segundo projeções de economistas, sem ajustes no sistema, o tempo estimado para alcançar a aposentadoria pode chegar a 78 anos, principalmente entre as categorias mais expostas à informalidade.
Especialistas defendem a criação de políticas públicas específicas para categorias como a dos caminhoneiros, com programas de incentivo à contribuição e linhas de crédito que facilitem a formalização. “Não é justo que um profissional que move a economia do país precise trabalhar até quase os 80 anos para garantir o básico”, afirma a advogada previdenciária Ana Paula Ferreira.
Enquanto isso, a aposentadoria segue sendo um privilégio distante para milhares de motoristas de caminhão no Brasil. E a pergunta que fica é: quem vai segurar o volante quando os joelhos não aguentarem mais?
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