Caminhoneiro

Não desejo essa vida nem para o meu filho”: Caminhoneiros desabafam sobre a dura realidade da profissão no Brasil

“Você passa 15 dias fora de casa e, quando volta, chega praticamente sem nada no bolso.” A frase é de um dos muitos caminhoneiros que participaram de um vídeo-documentário feito nas estradas do Brasil, revelando o que, para muitos, já deixou de ser apenas uma profissão: tornou-se um sacrifício.

Em um cenário marcado por baixa valorização, falta de estrutura, insegurança e salários apertados, a realidade do caminhoneiro brasileiro tem afastado novos profissionais da boleia — e feito os veteranos desaconselharem seus próprios filhos a seguir o mesmo caminho.

“Meu filho quer ser caminhoneiro, mas eu não quero isso pra ele”

Entre os depoimentos mais fortes, pais relatam que, apesar de seus filhos demonstrarem vontade de seguir seus passos, prefeririam vê-los em qualquer outra profissão: policial, advogado, delegado. “É uma vida sofrida, desrespeitada e cada vez mais perigosa”, diz um caminhoneiro com 12 anos de estrada.

Desvalorização em todos os sentidos

Os relatos apontam para uma desvalorização generalizada do motorista de caminhão. Desde empresas que proíbem o acompanhante da esposa ou filho na cabine, até relatos de que “motorista é tratado como analfabeto, drogado, irresponsável”.

Há menções a casos de humilhação durante o carregamento de cargas, tratamento ríspido por parte de funcionários e até desrespeito de autoridades, como quando um caminhoneiro afirma ter sido chamado de “vagabundo” por um policial militar: “Mesmo com nota fiscal, com tudo certo… é revoltante.”

Baixos ganhos, altos riscos

Outro ponto crítico é a pressão por produtividade: cumprir metas, fazer média de combustível, e aguentar cobranças constantes de gestores — muitas vezes sem sequer uma diária justa. “Você vai para São Paulo e volta com R$ 100 no bolso, depois de gastar R$ 4 mil de diesel”, diz um dos entrevistados.

Além disso, há o medo constante dos assaltos e o sentimento de abandono. “Se te roubarem, a empresa ainda te pressiona achando que você está envolvido”, relata um motorista.

Falta de estrutura: onde comer, onde dormir?

“Você para num posto e paga R$ 50 no almoço, R$ 30 no banho e mais R$ 20 no estacionamento.” A ausência de postos de apoio adequados para descanso, alimentação e segurança é outro fator que afasta novos profissionais e desgasta quem ainda insiste na estrada.

Para muitos, a profissão continua apenas pelo amor ao caminhão e à estrada. Mas até isso está se esvaindo. “A paixão virou sofrimento”, resume um motorista.

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

Postagens recentes

Fila de caminhões trava escoamento da safra pelo Porto de Miritituba e preocupa produtores

Uma longa fila de caminhões no entorno do Porto de Miritituba, no Pará, tem travado o escoamento da safra brasileira,…

10 horas atrás

Senado debate descanso de caminhoneiros e Câmara trata de regulamentação de apps de transporte

O Senado Federal promoveu debates nesta semana sobre o descanso obrigatório dos caminhoneiros e a necessidade de regras mais claras…

10 horas atrás

Brasil está preparado para o “apagão logístico” por falta de motoristas?

O Brasil enfrenta um risco crescente de “apagão logístico” causado pela falta de caminhoneiros profissionais. Especialistas em transporte e logística…

10 horas atrás

Mulher de caminhoneiro pode receber Bolsa Família? Entenda o que diz a regra

A dúvida é comum em muitas casas pelo Brasil: mulher de caminhoneiro pode receber Bolsa Família? A resposta é sim,…

10 horas atrás

Acidente entre caminhão e carro na BR-020 deixa duas pessoas mortas em Goiás

Uma colisão entre um caminhão e um carro de passeio na rodovia BR-020, no estado de Goiás, deixou duas pessoas…

10 horas atrás

Caminhoneiro boliviano é preso com 160 kg de prata escondida em caminhão na BR-262

Um caminhoneiro de nacionalidade boliviana foi preso na rodovia BR-262, em Mato Grosso do Sul, após ser flagrado transportando cerca…

10 horas atrás