Correios

Crise nos Correios: atrasos nas entregas continuam mesmo após fim da greve

Moradores de diversos estados, como Piauí e Mato Grosso do Sul, seguem enfrentando atrasos, prejuízos e falta de respostas da estatal

Mesmo após o fim das paralisações regionais dos Correios, muitos consumidores seguem sofrendo com atrasos nas entregas em várias partes do Brasil. No estado do Piauí, por exemplo, há relatos de mercadorias paradas há mais de um mês, rastreamentos sem atualização e pacotes “sem previsão” para entrega, causando prejuízos tanto a consumidores quanto a pequenos empreendedores.

A greve dos Correios, que aconteceu de forma fragmentada entre abril e maio de 2025, teve como estopim uma série de problemas internos, como atrasos salariais, calotes a transportadoras terceirizadas e até cancelamento de férias sem aviso. A crise financeira da estatal, que em 2024 acumulou um prejuízo de R$ 2,6 bilhões, levou sindicatos como a FINDECT a convocarem assembleias para discutir reajustes e condições de trabalho.

Enquanto isso, o impacto atinge diretamente quem depende das entregas para viver. O empresário João Victor Ferreira, de Teresina, relatou que está há quase um mês esperando a entrega de 36 camisas importadas, avaliadas em mais de R$ 4 mil.

“Dia 29 vai fazer 30 dias que não recebo nenhuma encomenda. Trabalho com venda de camisas e cada peça sai por cerca de R$ 120. É meu sustento”, desabafa.

A indignação dos consumidores também pode ser vista nas redes sociais e no site Reclame Aqui, que registrou cerca de 200 queixas contra os Correios só no dia 22 de maio. Além do Piauí, moradores de Mato Grosso do Sul e outros estados também relataram atrasos e falta de informações concretas sobre seus pedidos.

Caminhões dos correios Foto: Correios / Arquivo da internet – Autor desconhecido

Plano emergencial e redução de jornada

No dia 12 de maio, a empresa anunciou um plano estratégico para tentar reverter o prejuízo bilionário. Entre as medidas, está a proposta de redução da jornada de trabalho, uma forma de cortar custos, mas que pode piorar ainda mais os prazos de entrega, segundo especialistas.

A combinação de cortes internos, falhas na comunicação com o público e dependência de transportadoras terceirizadas em greve tem alimentado uma crise que parece longe do fim — e quem mais sente os efeitos são os brasileiros comuns que dependem dos serviços para trabalhar, empreender ou apenas receber uma encomenda em casa.

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

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