Foto: Reprodução / REUTERS/Adriano Machado
Um levantamento recente revelou que cinco postos de combustíveis em Santa Catarina estão sob influência de facções criminosas. A pesquisa, divulgada pelo portal R7, aponta indícios da expansão do crime organizado no Brasil, que já teria ramificações em 941 postos de combustíveis espalhados pelo país.
A investigação levou em conta diversos indícios, como a participação de “laranjas” nas sociedades dos postos, relações com redes suspeitas e históricos criminais dos administradores. O estudo sugere que essas estruturas estariam sendo utilizadas para lavagem de dinheiro, evasão fiscal e apoio logístico às organizações.
Segundo o delegado Daniel Régis, diretor da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC), o uso de postos por facções não é uma novidade. Ele destaca que o número pode variar com o tempo e depende diretamente do nível de repressão.
“Hoje podem ser cinco, amanhã podem ser 30 ou nenhum, dependendo do combate aplicado. O que é certo é que o crime organizado busca constantemente novas formas de lavar dinheiro”, afirmou.
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 42 mil postos de combustíveis. O estado de São Paulo lidera o ranking, com 290 postos ligados ao crime, seguido por Goiás (163), Rio de Janeiro (146) e Bahia (103).
Para o especialista em segurança pública Welliton Caixeta Maciel, a infiltração do crime nesse setor remonta aos anos 1990, e representa uma adaptação estratégica das facções às falhas de fiscalização e às oportunidades econômicas.
“Não se trata mais apenas do tráfico de drogas, mas da ocupação de espaços legais para encobrir ações ilegais, ampliar o poder territorial e captar recursos”, explicou.
O presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz, reforçou que a cadeia produtiva do setor está sendo corrompida em diversas frentes — das distribuidoras aos postos de venda ao consumidor final.
“Temos distribuidoras sendo pressionadas ou cooptadas, e postos funcionando como fachada para atividades ilícitas. Isso impacta diretamente na concorrência e no consumidor”, concluiu.
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