
Caminhoneiro fazendo sinal negativo Foto: Reprodução / Internet
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou nesta semana um novo reajuste na tabela dos pisos mínimos de frete, medida que determina o valor mínimo que deve ser pago pelo transporte rodoviário de cargas no Brasil. No entanto, o aumento, que varia conforme o tipo de carga e quilometragem, não agradou a maior parte da categoria de caminhoneiros autônomos, que classificam o reajuste como insuficiente diante dos custos atuais para rodar no país.
O novo cálculo levou em consideração a atualização do preço do óleo diesel, variações nos custos operacionais e nos insumos que impactam diretamente a atividade dos transportadores. Apesar disso, entidades que representam os caminhoneiros alegam que o reajuste está abaixo do necessário para compensar os aumentos acumulados em itens como pneus, manutenção e pedágios.
Segundo a ANTT, a atualização foi feita com base na metodologia prevista pela Lei nº 13.703/2018, que regula a política nacional de pisos mínimos. Os novos valores entram em vigor imediatamente e devem ser aplicados a todas as contratações de frete rodoviário feitas a partir da publicação da resolução.
No entanto, lideranças da categoria afirmam que a tabela reajustada não cobre os custos reais de operação e reforçam que a defasagem continua penalizando os transportadores, especialmente os autônomos que não têm poder de barganha nas negociações com embarcadores.
“Esse reajuste é apenas simbólico. Os custos para manter um caminhão na estrada estão cada vez maiores e a tabela não acompanha a realidade. Isso é empurrar o problema com a barriga”, afirma João Batista da Silva, caminhoneiro e líder regional em Minas Gerais.
Entre os principais pontos de insatisfação estão:
Além disso, muitos caminhoneiros denunciam falta de fiscalização no cumprimento da tabela, afirmando que muitos contratantes ainda oferecem valores abaixo do piso mínimo, especialmente em fretes por aplicativos e plataformas digitais.
Diante do descontentamento, representantes de associações e cooperativas de caminhoneiros já articulam uma série de reuniões com parlamentares e órgãos do setor para discutir novas formas de garantir o cumprimento da lei e reajustes mais justos. Alguns grupos também estudam a possibilidade de mobilizações caso não haja resposta efetiva do governo.
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