A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) decidiu suspender temporariamente a autorização para a produção e venda da gasolina formulada no Brasil. A medida foi tomada após intensas discussões sobre a qualidade do combustível e os possíveis impactos negativos ao consumidor e ao desempenho dos veículos.
A gasolina formulada é produzida a partir da mistura de diversos componentes químicos em vez de ser extraída diretamente da destilação do petróleo. Embora sua comercialização seja permitida no país, ela vinha gerando questionamentos por parte de consumidores, montadoras e entidades do setor automotivo, devido à variação de qualidade e desempenho em comparação à gasolina convencional.
A decisão da ANP entra em vigor imediatamente e vale até que sejam concluídas duas consultas públicas abertas pela agência para discutir o tema de forma mais ampla. As consultas envolvem possíveis atualizações na regulamentação da especificação da gasolina automotiva, com o objetivo de garantir mais transparência e padronização na composição do produto vendido nos postos de combustíveis.
A medida é vista com cautela pelo setor. Distribuidoras e refinarias afirmam que a suspensão pode gerar impacto na oferta e elevar o preço final da gasolina nos próximos dias, especialmente em regiões que dependem fortemente da gasolina formulada.
Por outro lado, especialistas do setor automotivo e entidades de defesa do consumidor comemoram a decisão. “A gasolina formulada é instável, e muitas vezes o motorista paga caro por um combustível de menor qualidade. A suspensão é positiva até que se tenha regras mais claras e justas para todos”, afirmou Ricardo Ferreira, engenheiro automotivo e consultor de combustíveis.
A ANP não deu um prazo para o fim da suspensão, mas informou que os resultados das consultas públicas serão avaliados com prioridade. Até lá, apenas a gasolina comum refinada e aditivada, conforme os padrões já estabelecidos, poderá ser distribuída nos postos em todo o território nacional.

