Denuncias da Estrada

Caminhoneiros denunciam cobrança de propina em postos de fiscalização entre Miritituba e Barcarena (PA)

Uma série de denúncias começou a circular nas redes sociais nos últimos dias, apontando a suposta cobrança de propina em postos de fiscalização ao longo do trajeto entre Miritituba e Barcarena, no Pará — trecho crucial para o escoamento de grãos e outras cargas no Norte do Brasil.

O Brasil do Trecho conversou com caminhoneiros que afirmam que a prática tem se tornado cada vez mais comum, especialmente em fiscalizações estaduais e municipais. Segundo os relatos, há cobrança de R$ 50 por abordagem, valor que, segundo os motoristas, seria repassado diretamente por donos de transportadoras.

“É melhor pagar do que ver o caminhão parado”

Segundo um caminhoneiro que pediu anonimato, o pagamento é uma forma de “agilizar” a liberação dos veículos, evitando possíveis entraves burocráticos ou supostos abusos. “Se não pagar, eles acham pelo em ovo. Então o dono da transportadora prefere mandar o dinheiro para garantir que a viagem não atrase”, disse.

Outro motorista relatou que, em dias de maior movimento, chega a passar por duas ou três fiscalizações no mesmo dia, acumulando um custo extra de até R$ 150 — um valor que, somado ao alto preço do diesel e aos pedágios, compromete ainda mais a margem dos profissionais da estrada.

Silêncio das autoridades

Até o momento, nenhuma autoridade estadual ou federal se manifestou oficialmente sobre as denúncias. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e os órgãos de fiscalização locais ainda não comentaram os relatos, que vêm ganhando força em grupos de caminhoneiros e páginas especializadas no setor logístico.

Caminhoneiros pedem investigação

Com medo de retaliação, poucos profissionais estão dispostos a formalizar a denúncia. No entanto, há um apelo crescente por parte da categoria para que o Ministério Público e a Ouvidoria da PRF acompanhem de perto a situação no trecho Miritituba-Barcarena.

“Estamos cansados. A estrada já é perigosa, o diesel caro, e agora temos que lidar com corrupção. A gente só quer trabalhar”, disse um motorista que faz o trajeto com frequência levando soja para os portos da região.

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

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