
Caminhoneiro comeu pó de amiantodurante a entrevista.
Na década de 1980, um episódio curioso e assustador marcou as estradas brasileiras e a história do transporte de cargas. Em 1987, um caminhão que transportava amianto tombou na BR-040, na região entre Belo Horizonte e Juiz de Fora (MG), espalhando cerca de **oito toneladas desse material tóxico pela pista, que teve que ser interditada pelas autoridades enquanto equipes especializadas fizeram a limpeza da via.
O amianto é um mineral que foi largamente usado no passado em produtos industriais e de construção, como telhas e isolantes, por causa da sua resistência ao calor e à tração, mas hoje é reconhecido como altamente cancerígeno e proibido em muitos países, inclusive no Brasil, por poder causar doenças graves como câncer de pulmão, asbestose e mesotelioma quando suas fibras são inaladas ou ingeridas.
Durante a cobertura jornalística do acidente, a equipe de TV entrevistou o caminhoneiro responsável pelo transporte. Questionado se ele tinha a documentação para transportar aquele tipo de carga tóxica e se a substância realmente oferecia risco à saúde, ele foi ainda mais longe: para tentar provar que o amianto “não era perigoso”, colocou pedaços do material na boca e começou a comer amianto ao vivo na frente das câmeras.
O episódio virou motivo de surpresa e até incredulidade entre telespectadores. Na época, a justificativa dele, segundo relatos posteriores, é que havia falado com o fabricante do material, que teria dito que a sua ingestão não causaria perigo imediato. Hoje, especialistas alertam que isso não muda o fato de que o amianto é considerado tóxico justamente por causa das fibras microscópicas que podem causar danos sérios e irreversíveis ao corpo humano quando inaladas ou ingeridas ao longo do tempo.
A rodovia foi interditada por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Corpo de Bombeiros, que trabalharam com apoio de químicos para remover e limpar toda a carga espalhada pela pista, impedindo a passagem de outros veículos até que a operação fosse concluída.
Décadas depois, o vídeo daquele momento inusitado circula nas redes sociais e em treinamentos de equipes de emergência como um exemplo de comportamento perigoso e ignorante em relação a materiais tóxicos. O próprio caminhoneiro, já aposentado, chegou a comentar anos depois que talvez não faria a mesma coisa hoje, reforçando o quanto o conhecimento sobre riscos do amianto evoluiu desde então.
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