
foto: Juarez Rodrigues/EM/D. A Press
Todo fim de ano é a mesma história: enquanto a maior parte das famílias se reúne pra ceia, troca presentes e mata a saudade, milhares de caminhoneiros continuam rodando Brasil afora entregando tudo aquilo que chega nas mesas e nas casas do país. Do peru de Natal ao brinquedo das crianças, quase tudo passa primeiro pelas mãos de um motorista que, muitas vezes, nem pode ver os próprios filhos abrir os presentes.
Nesse clima de festa pro resto do povo, a vida na boleia segue dura. Tem caminhoneiro que passa o Natal parado num posto, comendo marmita fria, olhando mensagem de vídeo da família e tentando se manter firme no volante porque a carga não espera. Muitos contam que passam três, quatro, até cinco dias longe de casa, sabendo que enquanto isso a própria família comemora sem sua presença.
Por isso, cada vez mais motoristas defendem que quem trabalha no Natal deveria receber o dobro. “Se todo mundo ganha extra por trabalhar em feriado, por que nós não?”, dizem alguns. E a verdade é que faz sentido. O caminhoneiro não tá só trabalhando: ele tá abrindo mão de algo que não volta, que é o tempo com quem ele ama. Enquanto muita gente reclama do trânsito pra chegar na casa da mãe, eles estão lá levando o que garante a festa de milhões.
Vários motoristas comentam que a luta é antiga. Muitos falam que já viram de tudo: passar Natal dormindo dentro do caminhão, ceia improvisada com pão e refrigerante, ligação rápida com a família porque o local não tinha nem sinal. Outros contam que trabalhar nessa data pesa mais no coração do que no corpo.
A verdade é que, sem esses profissionais, o Brasil praticamente para. As prateleiras ficariam vazias, empresas não entregariam nada e o comércio perderia boa parte do movimento de fim de ano. Mesmo assim, a valorização ainda é pouca. Muitos motoristas acreditam que receber dobrado seria, no mínimo, um reconhecimento pelo esforço e pelo sacrifício de continuar rodando enquanto o resto do país comemora.
No fim das contas, a discussão não é só sobre dinheiro. É sobre respeito. É sobre entender que por trás de cada caminhão na estrada existe um ser humano que também tem família, saudade, expectativa e vontade de estar sentado na mesa com todo mundo.
Esta publicação foi modificada pela última vez em 11 de dezembro de 2025 21:44
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