
Foto: Correios/ Kárita Sena
A crise nos Correios brasileiros está mexendo de forma profunda com o mercado de entregas e logística, fazendo com que transportadoras privadas enfrentem um dos períodos mais intensos de demanda de sua história, em um verdadeiro esforço que executivos descrevem como “operação de guerra” para dar conta do volume de serviços desde o fim de 2025 até o início de 2026.
Nos últimos meses, a estatal dos Correios vem passando por dificuldades operacionais e financeiras graves, com crescimento de atrasos em entregas e falhas em cumprir prazos que historicamente eram referência no setor. Essa situação acabou desencadeando uma migração acelerada de clientes e empresas para serviços de transporte e entrega particulares.
Dados preliminares de fontes do setor indicam que em dezembro, às vésperas do Natal — o período mais crítico do calendário de logística — ao menos 30% das encomendas postadas nos Correios não foram entregues dentro dos prazos esperados, levando lojistas, compradores e pequenos empreendedores a buscarem opções privadas de entrega para evitar prejuízos e reclamações.
O resultado desse movimento foi um aumento acentuado da demanda por transportadoras privadas, com empresas de logística relatando crescimento significativo no número de novos contratos e volume de pacotes a serem transportados. Executivos do setor afirmam que a situação está sendo tratada com máxima prioridade, mobilizando equipes maiores, operação estendida e foco em atender clientes que migraram dos Correios ou que agora distribuem mais volumes pelo setor privado.
Especialistas ouvidos por este blog afirmam que a crise dos Correios não é somente um problema de atraso de entregas isolado, mas reflexo de uma perda de competitividade estrutural da estatal, que sofre com déficits operacionais, estrutura rígida de custos e queda na participação no mercado de encomendas frente a concorrentes privados mais ágeis e tecnológicos.
Essa mudança no perfil de demanda pode ter efeitos duradouros no setor. Enquanto as transportadoras privadas se adaptam e expandem capacidade, os Correios tentam equilibrar a operação com medidas de reestruturação e obtenção de crédito para enfrentar o rombo financeiro. A pressão por parte de clientes e por entregas rápidas ficou ainda mais evidente no fim de 2025, quando o serviço postal ficou abaixo de 70% de entregas no prazo em muitos centros urbanos.
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