
Foto: Reprodução / Internet
Motoristas relatam dificuldade para carregar depois de bloqueios em gerenciadoras de risco, muitas vezes sem saber o motivo e sem chance clara de defesa.
Muitos caminhoneiros chamam de bloqueio na seguradora, mas na prática o problema costuma passar pelas gerenciadoras de risco. São empresas que analisam cadastro, rota, histórico e outros dados antes de liberar o motorista para puxar uma carga. O problema começa quando o trabalhador é barrado e ninguém explica direito o motivo.
Para quem vive de frete, isso não é só um cadastro travado. É diária parada, boleto vencendo, diesel caro, família esperando dinheiro em casa e caminhão sem rodar. O caminhoneiro chega pronto para carregar, às vezes depois de horas na fila, e descobre que não pode seguir viagem porque o sistema não liberou.
O ponto mais revoltante é quando o motorista não sabe por que foi bloqueado. Pode ser dado antigo, erro no sistema, nome parecido, ocorrência passada ou até situação em que ele foi vítima, não culpado. Mesmo assim, o caminhoneiro acaba pagando a conta primeiro.
Na estrada, tempo parado é prejuízo. O autônomo não tem salário fixo no fim do mês. Se ele não carrega, não recebe. E quando uma gerenciadora trava o nome dele sem explicação clara, a consequência cai direto no bolso de quem já enfrenta pedágio, manutenção, pneu, oficina, espera em pátio e frete cada vez mais apertado.
O gerenciamento de risco é importante para proteger carga, empresa e motorista. Mas segurança não pode virar injustiça. Se existe bloqueio, também precisa existir motivo claro, prazo para resposta e chance real de defesa. O caminhoneiro não pode ser tratado como problema antes mesmo de ter a oportunidade de explicar sua situação.
Com o transporte cada vez mais cheio de regras, seguro obrigatório e cobrança em cima de quem roda, esse tema precisa ser olhado com mais respeito. Porque quando o sistema erra, quem fica parado no pátio não é uma planilha. É um trabalhador que depende da estrada para colocar comida dentro de casa.
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