Transportadoras vivem crise de motoristas e pisam no freio na compra de caminhões

As vendas mostram que o setor ainda está segurando investimento, mesmo com caminhão parado, carga esperando e falta de gente na boleia.
Mesmo com a falta de caminhoneiros no Brasil, as transportadoras não estão comprando mais caminhões no acumulado de 2026. Pelo contrário, os números mostram queda nas vendas. Em março, o mercado até reagiu e emplacou 8.766 caminhões novos, alta de 32,6% sobre fevereiro. Mas quando olha o primeiro trimestre inteiro, a venda caiu 19,3%. Foram 21.750 caminhões vendidos de janeiro a março de 2026, contra 26.946 no mesmo período de 2025.
Isso mostra uma realidade bem conhecida por quem vive da estrada. A transportadora pode precisar de caminhão, pode ter carga e pode sofrer com falta de motorista, mas comprar um veículo novo não é simples. Caminhão está caro, financiamento pesa, diesel continua sendo uma preocupação e qualquer erro na conta vira prejuízo.
O curioso é que o mercado geral de veículos cresceu no primeiro trimestre de 2026. Segundo a Fenabrave, os emplacamentos no Brasil subiram 16,09% entre janeiro e março, somando mais de 1,2 milhão de veículos. Ou seja, o mercado como um todo andou para frente, mas os caminhões ainda ficaram para trás.
Na prática, muitas empresas estão segurando a compra. Algumas preferem arrumar a frota antiga, outras esperam crédito melhor, e muitas ainda não sabem se vale a pena comprar caminhão novo sem ter motorista suficiente para rodar. Porque caminhão parado no pátio não paga parcela, não entrega carga e ainda vira custo.
Para o caminhoneiro, isso também acende um alerta. A falta de motorista pode até aumentar a procura por profissionais bons, mas não significa vida fácil. A rotina continua pesada, com espera para carregar, descarga demorada, prazo apertado e cobrança em cima de quem está no volante. O setor precisa de caminhão, mas precisa ainda mais valorizar quem faz o transporte acontecer todos os dias.
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