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Caminhão

Projeto que poderia trazer de volta os caminhões bicudos já foi rejeitado no Senado

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caminhão 113h

Durante os últimos anos, muitos caminhoneiros voltaram a defender o retorno dos caminhões bicudos ao Brasil. O principal argumento é que esse tipo de cabine oferece mais espaço interno para descanso, maior distância entre o motorista e a dianteira do veículo em caso de colisão e melhor conforto nas viagens longas. Pouca gente sabe, porém, que já existiu um projeto no Senado com esse objetivo e ele acabou sendo rejeitado.

O Projeto de Lei nº 2.084/2022, apresentado pelo então senador Jorginho Mello, propunha alterar a forma como o comprimento dos caminhões é calculado no Brasil. Pela proposta, a cabine deixaria de entrar na medição total do veículo. Na prática, isso abriria caminho para o retorno dos caminhões bicudos sem reduzir o espaço disponível para a carga.

A proposta foi analisada pela Comissão de Infraestrutura do Senado e recebeu parecer contrário do relator, senador Jaime Bagattoli. O entendimento foi de que a definição das dimensões máximas dos veículos é atribuição do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), e não da legislação federal. Também foi apontado que mudanças desse tipo poderiam gerar impactos no planejamento viário e na circulação de veículos de grande porte. Com isso, o projeto não avançou.

Mesmo sem a aprovação da proposta, o assunto continua sendo debatido entre motoristas e fabricantes.

Caminhão bicudo é realmente mais seguro?

A resposta não é tão simples quanto parece.

Em uma colisão frontal, a cabine avançada dos caminhões “cara chata” posiciona o motorista mais próximo do ponto de impacto. Já nos caminhões bicudos existe uma área maior entre a cabine e a frente do veículo, capaz de absorver parte da energia da batida antes que ela alcance o ocupante.

Esse fator é reconhecido pela engenharia automotiva e ajuda a explicar por que muitos caminhoneiros preferem os modelos bicudos.

Por outro lado, afirmar que um caminhão bicudo é automaticamente mais seguro seria incorreto.

Os caminhões modernos vendidos atualmente no Brasil contam com estruturas reforçadas, zonas de deformação programada, cintos com pré-tensionadores, controle eletrônico de estabilidade, sistemas de frenagem avançados, assistentes de permanência em faixa e frenagem automática de emergência. Em diversos testes internacionais, esses equipamentos reduzem significativamente o risco de acidentes, independentemente do formato da cabine.

Novo bicudo da volvo é flagrado no Brasil
Foto: Reprodução / Internet

Por que o Brasil adotou os caminhões de cabine avançada?

A mudança ocorreu principalmente por questões econômicas.

Como a legislação brasileira estabelece um limite máximo para o comprimento do conjunto, os caminhões de cabine avançada permitem transportar implementos maiores sem ultrapassar esse limite. Isso aumenta a capacidade de carga e melhora a produtividade das operações.

Na Europa, onde esse modelo se tornou predominante, o foco sempre foi aproveitar melhor o espaço disponível nas rodovias. Já países como Estados Unidos, Austrália e parte do Canadá continuam utilizando muitos caminhões bicudos devido às longas distâncias e às regras diferentes de comprimento dos veículos.

Embora o projeto tenha sido rejeitado, o tema ainda desperta interesse entre caminhoneiros. Muitos defendem que uma revisão das regras poderia permitir novamente a fabricação de caminhões bicudos modernos, mantendo a capacidade de carga e incorporando as tecnologias atuais de segurança.

Até o momento, porém, não existe nenhuma proposta aprovada que altere a regulamentação vigente. Assim, o padrão de cabine avançada permanece como referência para os caminhões produzidos e comercializados no Brasil.

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    Sobre o autor

    Com uma vasta experiência no setor de logística e transporte rodoviário de cargas, adquiri um profundo conhecimento das necessidades e desafios enfrentados pelos caminhoneiros em sua rotina diária.