Rio pode abrir espaço para quase 19 mil motoristas de ônibus e salário passa de R$ 4 mil

O Rio de Janeiro pode ter espaço para quase 19 mil motoristas de ônibus nos próximos anos, caso a frota da Região Metropolitana volte ao tamanho registrado há pouco mais de uma década. A estimativa não representa contratações anunciadas pelas empresas, mas mostra o potencial de geração de empregos com a recuperação do serviço.
Dados apresentados pela Federação das Empresas de Mobilidade do Estado do Rio de Janeiro mostram que a frota em operação caiu de 19.574 ônibus, em 2014, para 10.142 veículos em 2025. A redução foi de 9.432 coletivos, equivalente a uma queda de 48% no período.
A conta considera a necessidade mínima de dois condutores para cada ônibus recuperado, permitindo a cobertura de turnos, folgas e jornadas diferentes. Com essa proporção, a retomada dos 9.432 veículos poderia criar uma demanda potencial por 18.864 motoristas.
Esse número depende diretamente da volta de passageiros, da abertura ou recuperação de linhas, da compra de ônibus e dos investimentos feitos pelas empresas e administrações municipais. Portanto, não se trata de 18.864 vagas disponíveis atualmente, mas de postos que poderiam surgir com uma expansão ampla da operação.
A redução da frota também veio acompanhada de mudanças na quantidade de passageiros. Entre 2014 e 2025, a média mensal de usuários pagantes caiu de aproximadamente 160 milhões para 81,5 milhões. No mesmo período, o número de viagens realizadas recuou 53%, enquanto a quilometragem percorrida pelos coletivos diminuiu 52%.
Na capital, a última tabela salarial registrada estabeleceu piso mensal de R$ 3.420,16 para motoristas de ônibus convencionais. Para profissionais que dirigem veículos articulados e biarticulados, usados principalmente no BRT, o valor chegou a R$ 4.104,18. A convenção também previa R$ 2.907,15 para condutores de mini e midiônibus e vale-alimentação mínimo de R$ 660.
Esses pisos tiveram vigência até 31 de maio de 2026. Em julho, trabalhadores e empresas ainda negociavam a nova convenção. A categoria reivindicava piso de R$ 4 mil para os motoristas convencionais e R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados, além de reajuste salarial e mudanças nos benefícios.
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