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Caminhoneiro

Europa tem mais de 500 mil vagas de caminhoneiro sem preencher e busca motoristas estrangeiros

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caminhoneiros na europa
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Enquanto caminhoneiros brasileiros reclamam da dificuldade para encontrar boas condições de trabalho em algumas operações, transportadoras europeias enfrentam o problema contrário: estão faltando motoristas para colocar os caminhões na estrada.

Um novo levantamento da IRU, organização mundial do transporte rodoviário, aponta que a Europa possui aproximadamente 502 mil posições de caminhoneiro sem preenchimento, o equivalente a cerca de 13% da necessidade de profissionais do setor.

O número faz parte do relatório mais recente sobre escassez de motoristas, publicado em junho de 2026. Em 18 mercados analisados ao redor do mundo, foram identificadas cerca de 2,9 milhões de posições de caminhoneiro sem profissionais disponíveis.

Na Europa, porém, a preocupação é ainda maior porque milhares de motoristas que hoje estão trabalhando devem se aposentar nos próximos anos.

Segundo a IRU, aproximadamente 660,5 mil caminhoneiros europeus devem chegar à aposentadoria até 2030. Cerca de 20% da atual força de trabalho de motoristas do continente pode deixar a profissão dentro de cinco anos.

Ou seja, as 502 mil posições atualmente sem preenchimento podem ser apenas parte do problema.

Transportadoras já estão recusando trabalho por falta de motorista

A falta de profissionais deixou de ser apenas problema do setor de recursos humanos.

Cerca de dois terços das transportadoras europeias pesquisadas afirmaram que já recusaram novos contratos porque não conseguem encontrar motoristas suficientes. Para 65% das empresas entrevistadas na Europa, a escassez de caminhoneiros é hoje a principal preocupação do negócio.

A dificuldade é ainda maior entre pequenas transportadoras.

Ao mesmo tempo, simplesmente aumentar o salário não está resolvendo tudo. A pesquisa mostra que os profissionais passaram a observar também tempo em casa, escala previsível, qualidade do caminhão, estacionamento seguro e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal antes de aceitar uma vaga.

É uma mudança importante.

Durante muito tempo, a solução para atrair motorista era aumentar a remuneração. Agora algumas empresas perceberam que um salário maior pode não ser suficiente se o profissional precisar passar semanas seguidas longe da família.

Europa começa a olhar para motoristas estrangeiros

É justamente aqui que a situação fica interessante para caminhoneiros de países de fora da União Europeia.

Um estudo realizado pela IRU para a Comissão Europeia analisou especificamente como facilitar a contratação e integração de motoristas profissionais vindos de outros países.

O trabalho reconhece uma falta próxima de 500 mil profissionais e aponta que a contratação internacional pode complementar a mão de obra local, desde que sejam mantidas regras de qualificação, segurança e condições de trabalho.

Em março de 2026, outro passo foi dado.

A União Europeia adotou regras para criar o EU Talent Pool, uma plataforma destinada a aproximar empregadores europeus de trabalhadores de países que não pertencem ao bloco.

E existe um detalhe que interessa diretamente ao setor: motoristas profissionais e mecânicos foram incluídos entre as ocupações reconhecidas como áreas com falta de mão de obra.

A plataforma deverá permitir que empresas publiquem oportunidades e que profissionais estrangeiros encontrem informações sobre contratação, imigração e direitos trabalhistas.

Isso significa 500 mil vagas abertas para brasileiros?

Não.

Essa diferença precisa ficar clara.

Os 502 mil postos sem preenchimento são uma estimativa da falta de motoristas no mercado europeu, e não 502 mil vagas reservadas ou automaticamente disponíveis para brasileiros.

Cada país continua possuindo suas próprias regras para visto, autorização de trabalho, reconhecimento ou conversão da habilitação e qualificação profissional.

O próprio sistema europeu deixa claro que participar do EU Talent Pool ou ser selecionado por uma empresa não garante automaticamente visto ou autorização de residência e trabalho. Essas etapas continuam dependendo das regras de cada país.

Também existe o problema da habilitação profissional.

Um brasileiro com CNH categoria E não pode simplesmente desembarcar na Europa e começar a dirigir uma carreta internacional no dia seguinte. Dependendo do país, poderá ser necessário converter ou reconhecer a carteira, realizar exames, obter qualificação profissional e cumprir exigências de imigração.

Por outro lado, o movimento europeu mostra que as portas estão sendo discutidas de maneira muito mais séria.

A própria Comissão Europeia publicou em 2026 um estudo dedicado a encontrar formas seguras de utilizar motoristas de países terceiros para aliviar a falta de profissionais.

Jovens não estão entrando na mesma velocidade

A matemática da profissão ajuda a explicar a crise.

A Europa possui uma população de caminhoneiros envelhecida, enquanto a entrada de novos profissionais não acompanha o número daqueles que deixam as estradas.

Mulheres representam apenas cerca de 4% dos caminhoneiros europeus. A IRU aponta ainda baixa presença de jovens na profissão e afirma que problemas como custo da formação, condições de trabalho e estilo de vida das viagens longas dificultam a renovação da categoria.

Isso cria uma espécie de relógio correndo contra as transportadoras.

Faltam cerca de 502 mil motoristas agora, enquanto centenas de milhares dos que continuam trabalhando se aproximam da aposentadoria.

Para o caminhoneiro brasileiro interessado em trabalhar fora do país, isso não significa emprego garantido, mas cria um mercado que precisa encontrar profissionais e que começa a olhar com mais atenção para trabalhadores estrangeiros.

O caminho ainda envolve documentação, experiência, qualificação, idioma e imigração.

Mas uma coisa já ficou evidente nos números de 2026: na Europa existem caminhões disponíveis, cargas para transportar e empresas querendo crescer. O que está faltando, cada vez mais, é quem sente atrás do volante.

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    Sobre o autor

    Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.