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Caminhoneiro

De pai para filho: profissão de caminhoneiro ainda carrega forte tradição familiar no Brasil

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Alfa romeo
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Aprender a profissão acompanhando o pai na boleia fez parte da história de muitos caminhoneiros que hoje cruzam o Brasil. Durante décadas, dirigir caminhão foi um ofício que passou de uma geração para outra dentro da própria família.

O filho via o pai chegar de viagem, ajudava a lavar o caminhão, conhecia postos, oficinas e transportadoras e, quando chegava à idade necessária, acabava entrando para o mesmo setor.

Essa influência familiar é reconhecida em pesquisas sobre a categoria. Um levantamento realizado na Bahia, por exemplo, encontrou 49,7% dos entrevistados citando influência familiar entre os motivos para terem escolhido a profissão, com relatos envolvendo pais, irmãos, tios e avós caminhoneiros.

Não existe, porém, uma pesquisa nacional atual que permita afirmar que a maioria de todos os caminhoneiros em atividade hoje é filha de caminhoneiros.

O que os estudos mostram com segurança é que a tradição familiar teve durante muito tempo um papel importante na formação da categoria.

A própria Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) afirma que essa tradição historicamente ajudou a sustentar o setor.

Muitos conheceram a estrada ainda crianças

Para algumas famílias, o primeiro contato com o caminhão acontece muito antes da carteira de habilitação.

É comum encontrar motoristas que passaram férias escolares viajando com o pai e aprenderam ainda jovens como funcionavam carregamento, entrega, manutenção e a rotina das rodovias.

A ANTT contou recentemente a história do ex-caminhoneiro Roberto Lemos, que durante anos levava o filho Fellipe nas viagens. O menino chegou a receber do pai suas primeiras orientações sobre direção dentro dessa convivência com a estrada.

Existem casos em que a sequência vai ainda mais longe.

Pai, filho e neto trabalham com caminhão, enquanto outros parentes atuam como motoristas, mecânicos ou proprietários de pequenas transportadoras.

Nova geração está escolhendo outro caminho

Se boa parte dos caminhoneiros mais experientes entrou na profissão influenciada pela família, os números recentes mostram que esse ciclo está sendo interrompido.

A Pesquisa Nacional da CNTA de 2025 entrevistou 2.002 caminhoneiros autônomos em 11 estados. Entre eles, 89% tinham filhos.

Mas 86% disseram que nenhum dos filhos pretendia seguir a profissão. A idade média dos caminhoneiros pesquisados era de 46 anos, e 34% já tinham 50 anos ou mais.

A rotina ajuda a explicar essa mudança.

Segundo a mesma pesquisa, o caminhoneiro autônomo trabalha, em média, 14 horas por dia e permanece aproximadamente 16 dias por mês longe de casa.

O próprio estudo sobre o perfil do caminhoneiro brasileiro já havia identificado que a chamada “tradição familiar” estava perdendo força, ao mesmo tempo em que empresas passaram a exigir maior capacitação dos novos profissionais.

Assim, uma profissão que por décadas encontrou seus novos motoristas dentro da própria casa enfrenta agora uma situação diferente: muitos dos caminhoneiros que aprenderam com seus pais não estão vendo os próprios filhos escolherem a mesma estrada.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.