Caminhoneiros viram alvo de quadrilhas especializadas em roubo de módulos eletrônicos
Um tipo de crime que preocupa caminhoneiros e transportadoras vem aparecendo com frequência em investigações policiais pelo país: o furto de módulos eletrônicos de caminhões.
São peças pequenas quando comparadas ao tamanho do veículo, mas fundamentais para o funcionamento do motor, câmbio e outros sistemas eletrônicos. Quando um desses componentes é retirado, o caminhão pode simplesmente não sair do lugar.
Nos últimos dias, operações policiais no Mato Grosso e no Paraná voltaram a mostrar a dimensão do problema.
Em Rondonópolis (MT), a Polícia Civil deflagrou em 15 de setembro a Operação Reconexão para investigar um esquema especializado em furtar módulos eletrônicos de caminhões. A investigação começou depois de uma série de ocorrências registradas em dezembro de 2025 e passou a apurar possíveis crimes em outros municípios.
No Paraná, outra investigação resultou na Operação Bate e Volta, realizada em 16 de setembro. Segundo a Polícia Civil, caminhões de diferentes transportadoras foram atacados enquanto estavam estacionados em postos de combustíveis de Carambeí e Castro. Os crimes investigados ocorreram entre abril e junho deste ano.
Criminosos atacam enquanto caminhoneiro está descansando
As investigações mostram um padrão que merece atenção.
Em Goiás, a Polícia Civil prendeu anteriormente um empresário investigado por furtar módulos de caminhões em postos localizados às margens de rodovias. Segundo a polícia, os crimes eram praticados principalmente durante a madrugada, enquanto os caminhoneiros estavam descansando.
O investigado admitiu furtos de módulos de motor, injeção e comando em diferentes cidades do sudeste goiano. A apuração também apontou que as peças eram revendidas no mercado paralelo por valores inferiores aos praticados normalmente.
Em junho deste ano, a PRF recuperou cinco módulos eletrônicos furtados de caminhões na BR-364, na região de Alto Garças, em Mato Grosso. O material estava dentro de um veículo suspeito de participação nos crimes registrados na região.
Um módulo pode custar milhares de reais
O interesse dos criminosos tem uma explicação simples: essas peças possuem alto valor e podem ser retiradas com relativa rapidez por alguém que conheça o veículo.
Em julho, a Polícia Civil da Bahia recuperou um módulo de controle de injeção de um Mercedes-Benz avaliado em aproximadamente R$ 7 mil, furtado de uma empresa em Vitória da Conquista.
Dependendo do modelo e da função, o prejuízo pode ser muito maior. Um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados cita módulos que podem chegar a R$ 50 mil, além de relatos de empresas que tiveram prejuízos de dezenas de milhares de reais em uma única sequência de furtos.
O problema não termina na compra da peça.
Sem o módulo, o caminhão fica parado. Para um autônomo, isso pode signific perder fretes, prazo de entrega e vários dias de faturamento enquanto aguarda reposição, programação eletrônica e instalação.
Congresso já discute mudança na fabricação dos caminhões
O problema chegou também à Câmara dos Deputados.
O Projeto de Lei 2.315/2025 propõe obrigar fabricantes de veículos de carga a instalar módulos eletrônicos em locais de difícil acesso e com mecanismos adicionais de proteção contra furtos. A proposta continua em análise na Comissão de Viação e Transportes.
Na justificativa do projeto, são citados episódios em Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais e Goiás como exemplos da recorrência desse tipo de crime.
Ainda não existe, porém, um levantamento nacional público específico que permita afirmar com precisão quanto o furto de módulos aumentou em 2026 em todo o Brasil. O que os casos recentes mostram é uma sequência de operações e investigações em diferentes estados contra grupos especializados nesse tipo de peça.
Para o caminhoneiro, o cuidado principal continua sendo evitar, quando possível, locais isolados para o descanso, priorizar estacionamentos com vigilância e iluminação e verificar o caminhão antes de seguir viagem.
Em Sete Lagoas, por exemplo, um motorista descobriu o furto do módulo de transmissão somente quando iniciou o trabalho e percebeu que o sistema de ar dos freios havia sido danificado pelos criminosos durante a retirada da peça.
Além do prejuízo financeiro, um furto desse tipo pode, portanto, criar também um risco de segurança caso outras partes do caminhão sejam cortadas ou danificadas durante a ação.
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