Baixar combustíveis será grande desafio para o novo governo com guerra pressionando petróleo
Baixar o preço dos combustíveis será um dos maiores desafios do próximo governo. A gasolina, o diesel e o etanol seguem pesando no bolso dos brasileiros, enquanto a guerra no Oriente Médio continua pressionando o preço internacional do petróleo.
O problema é que o governo consegue mexer em impostos e subsídios, mas não controla o valor do barril lá fora. Com ataques no Golfo e risco sobre rotas importantes de petróleo, o mercado voltou a trabalhar com medo de falta de oferta. Nesta semana, o petróleo Brent chegou a fechar acima de US$ 106 o barril, segundo a Folha.
No Brasil, o governo já tentou aliviar a pressão zerando tributos federais da gasolina por 30 dias. A medida tirou PIS/Pasep, Cofins e Cide da gasolina e ampliou a redução federal para R$ 0,89 por litro de gasolina A.
Mesmo assim, o desconto não chega automaticamente no mesmo valor para o consumidor. O preço na bomba depende de distribuidoras, postos, estoques, margem de revenda, logística e também da mistura com etanol.
O diesel é ainda mais sensível. Ele move caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, fretes e boa parte da economia. Quando o diesel sobe, o custo aparece no transporte, nos alimentos, nas entregas e no preço final de muitos produtos.
Segundo dados da ANP citados pelo BrasilAgro, o diesel S-10 chegou a R$ 7,35 por litro no início de outubro, após quatro semanas seguidas de alta. O valor saiu de R$ 6,88 na primeira semana de setembro para o maior patamar desde o fim de abril.
Para segurar o diesel, o Governo Federal também anunciou subvenção adicional ao combustível importado. O problema é que esse tipo de ajuda custa caro aos cofres públicos e não pode ser mantido por muito tempo sem afetar o orçamento.
O pacote anunciado para gasolina, etanol e diesel tem impacto estimado de R$ 5,2 bilhões em 30 dias. Ou seja, baixar combustível pode até aliviar o consumidor no curto prazo, mas cria uma conta pesada para o governo pagar.
Para caminhoneiros, transportadoras e motoristas comuns, a expectativa é simples: ver o preço cair de verdade na bomba. Mas, enquanto a guerra continuar e o petróleo seguir pressionado, o próximo governo terá pouco espaço para prometer combustível barato sem enfrentar uma conta bilionária.
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