Caminhoneiros brasileiros buscam na Europa uma chance de continuar na profissão
Caminhoneiros brasileiros estão olhando cada vez mais para a Europa em busca de uma oportunidade para continuar trabalhando na profissão. A falta de motoristas no continente abriu espaço para transportadoras recrutarem profissionais fora de seus países, e o Brasil entrou nesse radar.
Um levantamento divulgado pela International Road Transport Union aponta aproximadamente 502 mil vagas de motorista de caminhão sem preenchimento na Europa, o equivalente a cerca de 13% dos postos pesquisados.
A dificuldade é tão grande que 65% das transportadoras europeias consultadas apontaram a falta de motoristas como a principal preocupação. Cerca de 20% dos profissionais que atualmente dirigem caminhões no continente também devem se aposentar nos próximos cinco anos.
Com dificuldade para renovar a mão de obra, algumas empresas começaram a procurar motoristas brasileiros. Em 2026, transportadoras da Polônia chegaram a realizar processos de recrutamento diretamente no Brasil.
A Espanha também aparece entre os destinos procurados. Há brasileiros que já trabalham como caminhoneiros no país e relatam que empresas mantêm processos seletivos ou bancos de candidatos para profissionais vindos do Brasil.
Uma agência que atua no recrutamento internacional afirmou trabalhar com 17 transportadoras europeias e projetou demanda para mais de 2 mil motoristas brasileiros em 2026. Segundo a mesma empresa, milhares de currículos chegam mensalmente de profissionais interessados em deixar o Brasil para trabalhar no continente.
Mas ter experiência como caminhoneiro no Brasil não significa que o profissional possa começar imediatamente a dirigir na Europa. Dependendo do país, são necessários visto ou autorização de trabalho, adaptação da habilitação e qualificações profissionais específicas.
Na União Europeia, motoristas de veículos pesados também precisam seguir regras próprias de jornada, descanso e uso de tacógrafo. Em muitos países, ainda é exigida qualificação profissional equivalente ao chamado Code 95.
Para parte dos caminhoneiros brasileiros, a mudança aparece como uma forma de continuar na estrada, mas trabalhando em um mercado que enfrenta forte falta de profissionais e passou a procurar mão de obra fora da Europa.
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