Diesel chega a R$ 7,32 por litro e continua 21% mais caro que há um ano
O preço do diesel continua pesando no bolso dos caminhoneiros brasileiros. O litro do diesel S-10 foi vendido, em média, por R$ 7,32 nos postos do país entre 18 e 24 de outubro, segundo o levantamento mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Apesar de uma pequena queda semanal de 0,27%, o combustível acumula alta de 20,99% em 12 meses. No mesmo período de 2025, o preço médio era de R$ 6,05 por litro, conforme os dados publicados pela ANP.
A diferença aparece diretamente nas contas de quem vive da estrada. Um caminhão que consome 500 litros de diesel precisa de R$ 3.660 para abastecer nessa média nacional, sem considerar outros gastos da viagem, como pedágios, pneus, manutenção e alimentação.
Os preços também variam conforme a região. Na semana pesquisada pela agência, o litro do diesel S-10 custava, em média, R$ 7,25 em Goiânia, R$ 7,50 em São Luís e R$ 7,68 em Cuiabá. Em Rio Branco, a média chegou a R$ 8,02.
A pressão sobre o combustível está relacionada às condições do mercado internacional, incluindo margens elevadas de refino e restrições nas exportações russas. Segundo o Ministério da Fazenda, mais de 25% do diesel consumido no Brasil depende de importações, o que deixa o abastecimento nacional exposto às oscilações externas.
Diante desse cenário, o governo federal prorrogou por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel destinada a produtores e importadores. A medida foi anunciada em 28 de outubro e busca reduzir os efeitos da instabilidade internacional sobre os preços e o abastecimento, conforme comunicado do Ministério da Fazenda.
A ajuda, porém, não significa que o consumidor receberá automaticamente um desconto de R$ 2,12 em cada litro abastecido. O benefício é destinado aos agentes econômicos contemplados pela política e procura compensar parte dos custos da comercialização do combustível.
Outro fator que pode pressionar os gastos dos motoristas já tem data definida. Os estados aprovaram um aumento de R$ 0,13 por litro no ICMS do diesel, com entrada em vigor prevista para 1º de fevereiro de 2027. O reajuste foi aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), conforme reportagem da Folha de S.Paulo.
Na prática, se o aumento tributário for integralmente repassado ao consumidor, um abastecimento de 500 litros terá um custo adicional de R$ 65. O valor é uma simulação baseada no reajuste aprovado e não representa uma previsão do preço final nas bombas.
Para os caminhoneiros autônomos, a combinação de diesel caro, manutenção e fretes que nem sempre acompanham a evolução dos custos reduz a margem disponível para sustentar a atividade. Nas transportadoras, a pressão também pode afetar os contratos de transporte e as negociações com embarcadores.
O impacto ultrapassa as rodovias. O diesel é utilizado no transporte de mercadorias e em diversas atividades produtivas, de modo que aumentos persistentes podem pressionar os custos de distribuição e chegar aos preços de alimentos e outros produtos.
Embora a média nacional tenha recuado ligeiramente na última pesquisa, o combustível permanece cerca de 21% mais caro que há um ano. Para quem depende do caminhão como fonte de renda, a evolução dos preços, a duração dos subsídios e a entrada em vigor do novo ICMS serão fatores importantes para o planejamento das próximas viagens.
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