Transportadoras enfrentam déficit de caminhoneiros e 88% têm dificuldade para contratar
Transportadoras brasileiras estão encontrando cada vez mais dificuldade para colocar motoristas atrás do volante. Em 2026, a falta de caminhoneiros já deixa veículos parados e começa a limitar a capacidade de algumas empresas de assumir novas cargas.
Levantamento divulgado pela NTC&Logística mostra que 88% das transportadoras pesquisadas enfrentam dificuldade para contratar motoristas e agregados. Entre as empresas que possuem veículos parados por falta de profissionais, a média chega a oito caminhões sem operação.
O tamanho da falta de mão de obra também aparece em estimativas do setor, que apontam carência de aproximadamente 120 mil motoristas profissionais no Brasil.
O problema não surgiu agora. Em 2025, entidades do transporte já alertavam para a redução no número de profissionais disponíveis e para o envelhecimento da categoria. Dados apresentados naquele período indicavam idade média de 45,3 anos entre os caminhoneiros, enquanto apenas 9,5% tinham menos de 30 anos.
Outro número ajuda a mostrar a dificuldade de renovação. Nos últimos dez anos, o país perdeu cerca de 1,2 milhão de pessoas habilitadas para dirigir caminhões, segundo dados da Senatran analisados pelo Instituto de Logística e Supply Chain.
A falta de interessados também aparece diretamente nas vagas. Monitoramento da Confederação Nacional do Transporte apontou que 44,6% das empresas de transporte de cargas estavam com vagas abertas para motoristas no começo de 2026.
Entre as dificuldades apontadas pelo setor estão o tempo longe da família, rotina nas estradas, responsabilidade sobre veículos e cargas, exigência de habilitação profissional e baixa entrada de jovens na atividade.
Para as transportadoras, o efeito já chega ao pátio. Sem motorista disponível, um caminhão que poderia estar transportando mercadoria permanece parado, enquanto empresas precisam disputar profissionais experientes para manter a frota rodando.
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