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Combustível

Lula prometeu “abrasileirar” combustíveis em 2022 e chega ao fim do mandato com diesel acima de R$ 7

3 minutos de leitura
Mistura de etanol na gasolina sobe de 27% para 32% durante governo Lula
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O preço dos combustíveis voltou a entrar com força no debate político justamente no fim do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Quatro anos atrás, durante a campanha presidencial de 2022, uma das propostas apresentadas pelo então candidato era mudar a política adotada para gasolina e diesel no Brasil.

O compromisso não ficou apenas em declarações de campanha. As diretrizes do programa de governo registravam que o país precisava abandonar uma política de preços internacionalizada e dolarizada e defendiam “abrasileirar o preço dos combustíveis”, levando em consideração os custos nacionais e ampliando a produção de derivados no país.

Em julho de 2022, Lula também declarou que, caso fosse eleito, mudaria a política de preços da Petrobras e buscaria reduzir a influência do dólar sobre os combustíveis vendidos aos brasileiros.

A mudança realmente aconteceu. Em maio de 2023, a Petrobras abandonou a antiga política de paridade de importação como referência automática para os reajustes. Na época, Lula voltou a usar a expressão “abrasileirar” e tratou a alteração como cumprimento de uma promessa eleitoral.

O problema é que isso não tornou gasolina e diesel imunes ao mercado internacional. A própria ANP explica que o preço pago no posto depende de vários componentes, entre eles preços nas refinarias, impostos, biocombustíveis, custos operacionais e margens de distribuição e revenda.

Em 2026, uma nova pressão internacional atingiu o mercado. Em março, o preço médio do diesel avançou 16,23% em relação a fevereiro, passando de R$ 6,10 para R$ 7,09 por litro, segundo dados da ANP citados à época.

A situação voltou a piorar em setembro. Dados da ANP mostraram que o diesel S-10 acumulou alta de 6,5% no mês até 25 de setembro, atingindo seu maior valor desde abril. O movimento ocorreu em meio à valorização internacional do combustível e atingiu diretamente um país que ainda depende das importações para atender parte do consumo interno.

O próprio governo reconheceu essa dependência ao anunciar novas medidas em setembro. Segundo o Ministério da Fazenda, mais de 25% do diesel consumido no Brasil vem de importações. Para tentar segurar os preços, foi autorizada subvenção de R$ 1 por litro de diesel em um primeiro período. Na gasolina, o governo reduziu PIS/Pasep e Cofins em R$ 0,63 por litro temporariamente.

Ou seja, apesar da mudança na política da Petrobras feita durante o governo Lula, o consumidor brasileiro continua exposto a fatores internacionais. A diferença é que, em 2026, o governo passou a recorrer também a redução de impostos e dinheiro público por meio de subvenções para tentar amortecer a alta.

A poucos dias da eleição, Lula voltou ao assunto. Em 30 de setembro, afirmou que, caso seja reeleito, pretende adquirir uma distribuidora de combustíveis para ampliar a capacidade do Estado de atuar sobre o mercado. O presidente também atribuiu parte da pressão atual aos conflitos internacionais e disse que o governo continuará utilizando medidas para tentar conter os preços.

Os números atuais tornam a promessa de 2022 novamente relevante para caminhoneiros. O governo mudou a política da Petrobras, mas o preço nas bombas continuou sujeito ao petróleo internacional, às importações, aos impostos e às margens cobradas ao longo da cadeia. A própria série histórica da ANP permite acompanhar essas oscilações até setembro de 2026.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.