Dolly segue em crise financeira e enfrenta pedido de falência por dívida bilionária
A fabricante de refrigerantes Dolly continua enfrentando uma grave crise financeira e uma disputa judicial que pode afetar o futuro da empresa. Conhecida nacionalmente pelo mascote Dollynho, a companhia passou a enfrentar um pedido de falência apresentado pela União e pelo governo de São Paulo, envolvendo um passivo tributário estimado em R$ 15,7 bilhões.
A situação ganhou novos contornos em 2026, depois que o grupo encerrou sua tentativa de recuperação judicial, iniciada em 2018. A empresa buscava migrar para um modelo de recuperação extrajudicial, que permitiria negociar dívidas diretamente com determinados credores.
A mudança de estratégia, porém, não avançou como planejado. A Justiça extinguiu o processo após a fabricante deixar de apresentar, dentro do prazo estabelecido, os documentos necessários para comprovar os requisitos da recuperação extrajudicial.
Outro indicador da situação financeira foi divulgado no relatório de atividades referente a 2025. O documento apontou prejuízo líquido consolidado de R$ 25,8 milhões, resultado que reforçou as dificuldades enfrentadas pelo grupo empresarial.
Em julho de 2026, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP) protocolaram um pedido conjunto de falência contra empresas do Grupo Dolly.
De acordo com os órgãos públicos, o passivo tributário chega a aproximadamente R$ 15,746 bilhões. Desse total, cerca de R$ 8,3 bilhões correspondem a débitos com a União, R$ 7,4 bilhões ao governo paulista e aproximadamente R$ 15 milhões a valores relacionados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
As procuradorias afirmam que as tentativas de cobrança dos valores não tiveram resultado e apontam problemas relacionados à estrutura patrimonial e financeira das empresas. Essas alegações fazem parte dos argumentos apresentados à Justiça e ainda dependem de análise judicial.
O Grupo Dolly, por sua vez, contestou as informações sobre o pedido de falência. Em manifestação divulgada à imprensa, a fabricante afirmou que não havia sido oficialmente citada ou intimada sobre a medida e declarou que adotaria as providências judiciais cabíveis para defender seus interesses.
A empresa também reafirmou seu compromisso com a continuidade das operações e com a regularidade de suas atividades.
O pedido de falência não representa uma decisão definitiva contra a fabricante. A Justiça precisa analisar os argumentos apresentados pelas procuradorias e garantir à empresa o direito de defesa antes de decidir sobre a eventual decretação da quebra.
A trajetória da Dolly mostra como uma marca conhecida no mercado brasileiro de bebidas pode enfrentar dificuldades que vão muito além da concorrência nas prateleiras dos supermercados. O futuro do grupo depende agora dos desdobramentos judiciais e da capacidade de encontrar uma solução para os problemas financeiros acumulados.
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