Greve dos caminhoneiros não sai do papel nesta quinta após negativas de entidades do setor
A greve dos caminhoneiros anunciada para esta quinta-feira (5) não se concretizou. A mobilização que circulou nas redes sociais perdeu força depois que entidades representativas e lideranças do transporte rodoviário negaram a existência de uma convocação nacional.
Na quarta-feira (4), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) divulgou uma nota esclarecendo que não existe previsão de paralisação da categoria para a data. A manifestação da entidade reforçou os esclarecimentos que já vinham sendo divulgados por representantes do setor.
Wallace Landim, conhecido como Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), também negou a organização de uma greve nacional. Em declaração divulgada no fim de outubro, ele afirmou que as mensagens compartilhadas na internet utilizavam informações relacionadas a mobilizações anteriores.
A falta de apoio das entidades também enfraqueceu a possibilidade de uma paralisação organizada. Transportadoras associadas ao Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado da Bahia (SETCEB) não anunciaram adesão ao movimento. Na Paraíba, o presidente do sindicato dos caminhoneiros, Emerson Galdino, também informou que a entidade não participaria da mobilização.
Outro fator que contribuiu para a confusão foi a circulação de notícias antigas como se fossem atuais. Em checagem publicada em 4 de novembro, a Reuters identificou que um vídeo sobre uma possível greve, atribuído ao SBT News, era originalmente de 17 de março de 2026. Na ocasião, o assunto estava relacionado a uma discussão sobre o aumento do preço do diesel.
Entre as reivindicações que aparecem nas mensagens de convocação estão o custo do óleo diesel, a remuneração dos fretes, os pedágios e as despesas de manutenção dos caminhões. Os problemas financeiros enfrentados pelos transportadores autônomos continuam em discussão com o governo federal.
Wallace Landim esteve em Brasília no fim de outubro para acompanhar as negociações sobre as demandas da categoria. Entre os assuntos tratados estão a revisão da planilha de custos do transporte rodoviário e questões relacionadas à equalização de eixos.
A ausência de uma convocação oficial e de adesão organizada das principais entidades impediu que a mobilização anunciada ganhasse dimensão nacional. A possibilidade de novas manifestações não foi descartada pelas lideranças, caso as reivindicações dos profissionais não avancem nas negociações.
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