Em meio a uma das piores crises financeiras da história da empresa, transportadoras ingressaram com ações judiciais cobrando cerca de R$ 104 milhões dos Correios por pagamentos atrasados. Ao menos 41 empresas já buscaram a Justiça Federal desde abril, alegando faturas não quitadas desde o início de 2025 .
Impactos no serviço e pressão sobre entregas
O atraso nos repasses gerou um efeito dominó: várias transportadoras reduziram sua frota ou suspenderam serviços devido à falta de caixa, causando atrasos nas entregas em todo o país. Já foram protocolados processos com valores que variam entre R$ 80 mil e R$ 34 milhões por empresa, com média de aproximadamente R$ 2,5 milhões por processo.
Passivo crescente e resposta judicial
Dos processos ajuizados pelas transportadoras:
- cerca de 32% foram totalmente atendidos, liberando os valores e permitindo a retomada dos serviços;
- 23% resultaram em decisões parciais, que suspenderam penalidades contratuais;
- e 8 casos foram negados integralmente pela Justiça.
Situação interna nos Correios e consequências
A estatal admitiu que todos os fornecedores têm enfrentado atrasos nos pagamentos devido à crise fiscal. Apesar disso, afirmou que os serviços estão operando dentro do mínimo exigido nos contratos.
Entretanto, essa situação reduziu a capacidade de operação das transportadoras e prejudicou a logística das encomendas, gerando impacto direto aos consumidores.
Pedido de demissão do presidente e instabilidade à frente da estatal
No dia 4 de julho, o presidente dos Correios, Fabiano Silva, apresentou uma carta de demissão ao Palácio do Planalto em meio à crescente insatisfação com a gestão da crise interna. A decisão ainda aguarda confirmação formal. A instabilidade agrava ainda mais o cenário já delicado enfrentado pela empresa.
Panorama geral
A situação evidencia um colapso financeiro na rede de logística subsidiada pelo governo, com graves reflexos no setor privado de transporte contratado. As transportadoras mantêm pressão judicial por meio de ações para recuperação dos valores atrasados, enquanto o governo busca alternativas para conter danos nos serviços públicos de entrega postal.

