Nas grandes cidades, a pressa e o trânsito intenso têm levado muitos motoboys a adotarem práticas arriscadas e ilegais. Uma delas chama cada vez mais atenção: o ato de cobrir parcialmente a placa da moto com a própria mão ou com objetos improvisados ao passar por radares eletrônicos, conhecidos como pardais. O objetivo é claro — escapar de multas por excesso de velocidade ou infrações de trânsito.
Apesar de parecer uma “solução rápida” para evitar penalidades, a prática é considerada crime de adulteração de sinal identificador de veículo automotor, podendo resultar em multa gravíssima, pontos na carteira, apreensão do veículo e até prisão. O Código de Trânsito Brasileiro é explícito quanto a isso, mas, mesmo assim, a manobra tem sido vista com frequência em vias de movimento intenso.
Especialistas em trânsito alertam que, além de configurar crime, esse comportamento aumenta os riscos de acidentes. Ao tirar uma das mãos do guidão para cobrir a placa, o condutor perde parte do controle da motocicleta, o que pode ser fatal em situações de frenagem ou desvio repentino.
Outro ponto levantado é o impacto social: ao tentar evitar multas, o motoboy acaba reforçando um estigma negativo sobre a categoria, que já enfrenta longas jornadas, pressão por entregas rápidas e condições de trabalho muitas vezes precárias. Enquanto isso, motoristas e pedestres convivem com a insegurança de ver as leis de trânsito sendo desrespeitadas de forma deliberada.
O debate, portanto, vai além da multa. Envolve responsabilidade coletiva, respeito às regras e a necessidade urgente de políticas que conciliem fiscalização eficiente, educação no trânsito e melhores condições para os profissionais que vivem sobre duas rodas.

