Muitos caminhoneiros estão sofrendo mal súbito nas estradas

Caminhoneiro com dor no peito. Foto: reprodução

Nos últimos meses, tem chamado atenção o aumento de casos de caminhoneiros que sofrem mal súbito enquanto dirigem pelas rodovias do Brasil. Situações que antes pareciam isoladas agora começam a se repetir com mais frequência, muitas vezes resultando em acidentes graves, interdições de pistas e, em alguns casos, mortes.

O problema preocupa autoridades, empresas de transporte e os próprios profissionais da estrada, que convivem diariamente com longas jornadas, pressão por prazos, alimentação irregular e pouco tempo para cuidar da saúde.

Caminhoneiro morre após passar mal e parar caminhão na LMG-758 no Vale do Aço

O que está por trás dos casos de mal súbito

Especialistas apontam que não existe apenas um fator responsável. Na maioria das ocorrências, o mal súbito está ligado a um conjunto de situações comuns na rotina do caminhoneiro, como cansaço extremo, noites mal dormidas, estresse constante e problemas de saúde não tratados.

Doenças como hipertensão, diabetes, problemas cardíacos e apneia do sono aparecem com frequência em relatos médicos. Muitos motoristas seguem trabalhando mesmo sentindo sintomas como tontura, dor no peito, falta de ar ou visão embaçada, o que aumenta ainda mais o risco.

Caminhoneiros precisam de ajuda nas estradas. Foto: Reprodução. Caminhão estacionado durante o pernoite.

Jornadas longas e pressão por entrega

Mesmo com a legislação prevendo limites de jornada e descanso obrigatório, a realidade nas estradas ainda é diferente para muitos profissionais. Prazos apertados, remuneração atrelada à produtividade e medo de perder fretes fazem com que vários caminhoneiros ultrapassem os limites físicos.

Esse excesso de esforço, somado ao uso de estimulantes para permanecer acordado, pode desencadear reações graves no organismo, culminando em um mal súbito ao volante.

Caminhoneiros realizando exame de rotina com agentes da PRF. Foto: reprodução

Alimentação e saúde negligenciadas

Outro ponto crítico é a alimentação. Grande parte dos caminhoneiros depende de refeições rápidas, ricas em gordura, sal e açúcar. A falta de acompanhamento médico regular também pesa, já que muitos só procuram ajuda quando o problema já está avançado.

Exames preventivos acabam ficando de lado por falta de tempo ou acesso, o que contribui para que doenças silenciosas evoluam sem controle.

Risco para todos nas rodovias

Quando um caminhoneiro sofre um mal súbito dirigindo um veículo de grande porte, o risco não é apenas para ele. Outros motoristas, passageiros e pedestres também ficam vulneráveis. Um caminhão desgovernado pode causar acidentes de grandes proporções, especialmente em rodovias movimentadas.

Por isso, o tema deixou de ser apenas uma questão individual e passou a ser tratado como um problema de segurança viária.

O que pode ser feito para reduzir os casos

Especialistas defendem ações conjuntas entre empresas, órgãos fiscalizadores e os próprios motoristas. Incentivo a exames periódicos, respeito à jornada de trabalho, locais adequados para descanso e campanhas de conscientização são algumas das medidas consideradas essenciais.

Cuidar da saúde deixou de ser apenas uma escolha pessoal e passou a ser uma questão de sobrevivência para quem vive na estrada.