Milhares de brasileiros começaram 2026 frustrados, decepcionados e, em muitos casos, no prejuízo. Presentes comprados com antecedência para o Natal e o Ano Novo simplesmente não chegaram ao destino, mesmo com prazos prometidos antes das festas. O problema, que se espalhou por todas as regiões do país, escancarou mais uma vez a má qualidade do serviço prestado pelos Correios em períodos de alta demanda.

Relatos de consumidores se multiplicaram nas redes sociais e em sites de reclamação. Pessoas que compraram brinquedos para crianças, roupas, eletrônicos e até medicamentos afirmam que as encomendas seguem “em trânsito” ou paradas em centros de distribuição há semanas, sem qualquer previsão concreta de entrega. Em muitos casos, o presente perdeu totalmente o sentido, chegando depois das festas ou nem chegando até agora.
O sentimento predominante é de revolta. Para muitas famílias, o presente representava mais do que um objeto, era um gesto simbólico, planejado com esforço financeiro em um ano já marcado por dificuldades econômicas. Pequenos empreendedores também foram duramente afetados, principalmente quem depende de vendas online e envios pelos Correios para manter o faturamento. Há relatos de cancelamentos, pedidos de reembolso e clientes perdidos por causa da demora.
Especialistas em logística apontam que o colapso no fim de ano não é novidade. A combinação de aumento expressivo no volume de encomendas, falhas operacionais, falta de investimentos em infraestrutura e gestão deficiente contribui para o cenário recorrente. Mesmo com campanhas antecipadas alertando para o envio prévio, a estrutura não conseguiu absorver a demanda típica do período natalino.
Outro ponto que gerou indignação foi a falta de comunicação clara. Muitos consumidores afirmam que não receberam respostas objetivas, apenas mensagens automáticas, o que aumentou a sensação de abandono e descaso. Em pleno avanço do comércio eletrônico, a confiança no serviço postal volta a ser colocada em xeque.
Enquanto isso, milhares de pacotes seguem acumulados em centros de distribuição, e a promessa de normalização avança lentamente. Para quem ficou sem presentear filhos, parentes ou amigos, resta apenas a frustração e a expectativa de que, em 2026, o país finalmente encontre soluções para um problema antigo, que insiste em se repetir justamente nos momentos mais importantes do ano.

