Caminhoneiros autônomos estão endividados? A conta do frete explica o aperto

Os caminhoneiros autônomos movimentam valores altos todos os meses, mas boa parte do dinheiro desaparece antes de chegar ao bolso. Diesel, pneus, manutenção, pedágio, seguro e parcelas do veículo deixam o caixa apertado e podem levar o profissional a buscar empréstimos ou atrasar contas.
Uma pesquisa nacional da CNTA, feita com 2.002 transportadores autônomos em 2025, mostrou faturamento bruto médio de R$ 46 mil por mês. Depois das despesas da operação, a renda líquida cai para aproximadamente R$ 14 mil. O profissional realiza, em média, nove fretes mensais.
O caminhão ainda representa uma das maiores dívidas. No levantamento, 71% disseram que o veículo estava quitado. Os outros 29% ainda pagavam financiamento ou consórcio, compromisso que continua mesmo durante meses com poucos fretes ou quando o caminhão fica parado na oficina.
A manutenção também pesa. A frota dos autônomos tem idade média próxima de 15 anos, 58% utilizam pneus recauchutados e 61% afirmaram precisar trocar ao menos dois pneus. Um reparo inesperado pode obrigar o motorista a usar cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo para voltar a trabalhar.
Outro problema é o dinheiro que deveria ser pago pelo contratante. Mais de 90% dos entrevistados disseram não receber pela estadia durante o tempo parado, enquanto 52% não recebem corretamente o vale-pedágio obrigatório por TAG. Quase metade espera mais de cinco horas para carregar ou descarregar.
Nem os programas de financiamento estão chegando com facilidade à categoria. Em março de 2026, apenas pouco mais de 200 operações do Move Brasil haviam sido fechadas por autônomos, somando R$ 106 milhões. O valor correspondia a 2,2% de todo o crédito liberado naquele momento.
A dificuldade para comprovar renda, o preço elevado dos veículos e o receio de assumir uma dívida por até dez anos afastam parte dos motoristas das linhas de crédito. Em julho de 2026, esses pontos ainda apareciam entre os obstáculos para renovar a frota dos profissionais independentes.
Não existe um dado nacional atualizado que prove que a maioria dos caminhoneiros autônomos está inadimplente. Os números mostram, porém, uma categoria pressionada por despesas altas, pagamentos que nem sempre são respeitados e pouca margem para enfrentar uma quebra do caminhão ou um mês fraco de fretes.
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