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Dicas para motorista

J. Carrión paga até € 3.500? Caminhoneiro conta como é o trabalho na empresa

5 minutos de leitura
J-CARRION
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Quanto um caminhoneiro consegue ganhar trabalhando na J. Carrión, na Espanha, e como é a rotina de quem cruza vários países da Europa dirigindo para a transportadora?

Um motorista que está há aproximadamente seis meses na empresa contou detalhes sobre salário, caminhões, viagens, períodos de descanso e condições de trabalho. O relato foi divulgado pelo canal Imigração na Prática e traz uma visão de quem já está vivendo a rotina.

A J. Carrión é uma transportadora espanhola fundada em 1980 e especializada principalmente no transporte internacional e na logística de produtos com temperatura controlada. A própria empresa informa ter mais de 40 anos de atuação.

Atualmente, a companhia continua anunciando oportunidades para motoristas. Uma das vagas disponíveis em seu portal é para condutor C+E em rotas internacionais, inclusive sem exigir experiência prévia em determinadas seleções. A empresa menciona treinamento, caminhões modernos e programação de viagens voltada também ao retorno do motorista para casa.

Motorista relata ganhos entre € 2.900 e € 3.500

O ponto que mais chama atenção no relato é a remuneração.

Segundo o caminhoneiro ouvido pelo canal, o rendimento mensal pode ficar aproximadamente entre € 2.900 e € 3.500, dependendo principalmente da quantidade de quilômetros rodados.

Ele relata um salário-base em torno de € 1.495, acompanhado de uma parcela variável calculada de acordo com os quilômetros realizados. No vídeo é mencionado o pagamento de € 0,14 por quilômetro.

Esses valores, porém, devem ser tratados como relato de um motorista específico, e não como tabela salarial oficial da J. Carrión. Os próprios números citados no vídeo não permitem confirmar com precisão como todos os componentes da folha são calculados.

Quem estiver participando de um processo seletivo deve conferir no contrato quanto corresponde ao salário-base, adicionais, diárias, quilômetros, descontos e demais verbas antes de aceitar a proposta.

Outra informação do vídeo merece uma correção importante. O relato diz que na Espanha não existe “13º salário” como no Brasil. De fato, o sistema não funciona com o mesmo nome e formato brasileiro, mas a legislação espanhola estabelece duas gratificações extraordinárias por ano, sendo uma delas no período de Natal. Dependendo do acordo ou convenção aplicável, esses pagamentos podem ser distribuídos ao longo das mensalidades.

Rotas internacionais e descanso

O motorista afirma que roda por diferentes países europeus e que boa parte das viagens realizadas por sua operação segue para o Reino Unido.

Segundo ele, trabalhar à noite depende muito da carga e da programação. Em sua experiência, consegue dormir durante a maioria das noites, embora existam operações que exijam horários diferentes.

A rotina também precisa respeitar as regras europeias de direção e descanso. Na União Europeia, o descanso semanal regular é de pelo menos 45 horas consecutivas. Em determinadas condições, ele pode ser reduzido para no mínimo 24 horas, com compensação posterior.

Isso ajuda a explicar a referência feita pelo motorista a períodos de 24 e 45 horas durante as viagens.

No fim do ano, segundo o relato, existe uma escala para que o profissional consiga escolher entre folgar no Natal ou no Ano-Novo, ficando disponível para trabalhar no outro período. Esse detalhe foi informado pelo motorista entrevistado e pode variar conforme escala, contrato e necessidade da operação.

Caminhões novos aparecem como ponto positivo

Um dos aspectos mais elogiados pelo motorista é a condição da frota.

Ele afirma que encontrou caminhões bem conservados, com manutenção em dia, e relata que existe renovação frequente dos veículos.

Isso combina com o que a própria J. Carrión destaca em suas ofertas atuais. A empresa afirma disponibilizar caminhões modernos com tecnologia embarcada e oferecer treinamento em condução eficiente, segurança alimentar, prevenção de riscos e utilização dos equipamentos.

O profissional também considera positiva a reputação da empresa na região de Almería. No relato, ele diz que trabalhar na transportadora teria ajudado alguns funcionários inclusive na obtenção de crédito e arrendamento.

Essa possível facilidade para financiamento ou moradia, entretanto, não aparece nas informações públicas consultadas da empresa, portanto deve ser confirmada diretamente com a J. Carrión antes de ser considerada um benefício garantido.

E se o motorista quiser sair?

Outro assunto que costuma preocupar brasileiros contratados para trabalhar no exterior é uma possível multa por pedir demissão.

Segundo o motorista entrevistado, colegas deixaram a empresa e ele não conhece casos em que tenham sido obrigados a pagar uma multa simplesmente por encerrar o vínculo.

Ele também conta que profissionais que descumpriram regras internas receberam advertências e, após reincidências, acabaram desligados.

Nesse ponto, é importante não generalizar. Qualquer obrigação relacionada a permanência mínima, treinamento, despesas de contratação ou encerramento do vínculo deve ser conferida no contrato individual assinado pelo motorista. O relato de um funcionário não substitui as condições previstas na documentação de cada contratação.

Vale a pena trabalhar na J. Carrión?

Para o motorista ouvido pelo Imigração na Prática, a experiência depois de seis meses é positiva.

Ele destaca os caminhões, manutenção, organização da empresa e remuneração, além de afirmar estar satisfeito com a vida na Espanha.

Para um brasileiro interessado em seguir o mesmo caminho, porém, o ideal é separar três coisas: o que a empresa anuncia oficialmente, o que está escrito no contrato e o que outros motoristas relatam na prática.

A J. Carrión confirma atualmente que possui vagas para motoristas C+E em transporte internacional e informa oferecer treinamento, veículos modernos e programação de viagens que favorece o retorno para casa.

Já a faixa de € 2.900 a € 3.500 por mês, o pagamento variável por quilômetro e outros detalhes apresentados nesta matéria vêm do relato do caminhoneiro com seis meses de empresa. Quem pretende sair do Brasil para assumir uma vaga deve confirmar esses valores diretamente durante o processo seletivo e exigir que todas as condições estejam claras antes da assinatura.

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    Sobre o autor

    Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.