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Ônibus

Empresas têm vagas, mas motoristas de ônibus não querem mais ficar

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Empresas têm vagas, mas motoristas de ônibus não querem mais ficar
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Dirigir ônibus já foi motivo de orgulho e garantia de trabalho por muitos anos. Agora, profissionais experientes estão entregando o uniforme, deixando as garagens e procurando outras formas de ganhar dinheiro.

O problema aparece tanto no transporte urbano quanto nas linhas metropolitanas, rodoviárias e de fretamento. Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que 53,4% das empresas de ônibus urbanos e metropolitanos relatam dificuldade para encontrar motoristas preparados.

Não é apenas falta de gente com carteira de habilitação adequada. A pressão para cumprir horários, o trânsito pesado, as escalas cansativas e o contato diário com passageiros alterados vêm tirando o ânimo de quem passa horas atrás do volante.

O salário também pesa. O motorista assume a responsabilidade por dezenas de vidas, precisa cuidar de um veículo caro e ainda pode enfrentar cobranças por atrasos provocados pelo próprio trânsito. Para parte da categoria, o pagamento já não compensa tamanho desgaste.

Assaltos, ameaças e agressões aumentam o medo durante o serviço. Em algumas cidades, o trabalhador precisa dirigir de madrugada ou passar por áreas com registros frequentes de violência. Depois de anos nessa rotina, há quem prefira aceitar uma renda menor em outra atividade para ter mais tranquilidade.

A saúde cobra sua parte. Permanecer sentado por horas, sentir a vibração do ônibus e lidar com barulho, congestionamentos e atenção constante pode causar dores, estresse e problemas de sono. Estudos sobre a categoria também relacionam as condições de trabalho a doenças musculares, pressão alta e sofrimento mental.

Parte desses profissionais está migrando para aplicativos, entregas, transporte de cargas leves ou trabalhos fora do setor. A renda nem sempre melhora, mas a possibilidade de escolher os horários e voltar para casa todos os dias acaba atraindo quem cansou das escalas rígidas.

No transporte interestadual, a falta de mão de obra já chega a aproximadamente 30%. A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros calcula que o setor possui pouco mais de 60 mil motoristas, embora necessite de quase 86 mil. A maior parte está entre 40 e 50 anos, enquanto os jovens demonstram pouco interesse pela função. Os dados foram publicados pela CNN Brasil.

Empresas começaram a criar cursos internos para cobradores, manobristas e candidatos habilitados, mas sem experiência. O desafio não está somente em contratar. A reclamação ouvida nas garagens é outra: formar um motorista custa tempo, e fazer esse profissional permanecer na empresa está ficando ainda mais difícil.

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Sobre o autor

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.