Águia Branca começou com café, teve ônibus clandestino e hoje emprega 21 mil pessoas

Muito antes de a Águia Branca ficar conhecida pelos ônibus que circulam pelas rodovias brasileiras, a história da família começou de uma forma bem diferente: com café sendo negociado no interior do Espírito Santo e transportado onde praticamente não existiam estradas.
O relato foi feito durante uma entrevista sobre a origem do Grupo Águia Branca. Segundo a história contada pela família, o avô Carlinho comprava café no interior de Colatina, acompanhava os preços e levava o produto até a cidade para vender.
Naquela época, parte desse transporte era feita no lombo de animais. Depois veio a compra de um caminhão. Mais tarde, esse veículo acabou dando lugar a um ônibus, e foi justamente aí que começou uma história que mudaria o rumo da família.
Sem saber exatamente o que fazer com o coletivo, surgiu a informação de que havia passageiros interessados em viajar a partir de Governador Valadares. O ônibus foi enviado para a região, um motorista de táxi de Colatina foi contratado para dirigir e o filho mais velho da família, Valécio, com cerca de 14 anos, passou a trabalhar como cobrador.
O serviço deu certo, mas veio um problema inesperado. Cerca de dois anos depois, outra empresa registrou oficialmente a linha. A operação da família, que havia começado em 1946, passou então a ser considerada clandestina. Depois disso, o negócio voltou ao Espírito Santo e continuou crescendo com linhas intermunicipais.
A grande mudança aconteceu entre 1970 e 1971. A empresa tinha aproximadamente 35 ônibus quando comprou a Saionara, que possuía uma frota semelhante. No mesmo período, outra companhia com cerca de 70 a 75 veículos também foi adquirida. Em praticamente um ano, a frota dobrou duas vezes.
A compra da Saionara ainda trouxe um contrato de fretamento, considerado pela família como o começo da área de logística do grupo. Na mesma época nasceu a Valadares Diesel, concessionária Mercedes-Benz de ônibus e caminhões.
Hoje, apesar de o nome Águia Branca continuar fortemente ligado aos ônibus, o transporte de passageiros representa cerca de 7% da receita do grupo, segundo os números apresentados na entrevista.
A área de concessionárias responde por aproximadamente 70%, enquanto a logística representa outros 23%. O grupo também informou contar atualmente com cerca de 21 mil pessoas.
A organização dos negócios ganhou uma nova estrutura em 1993, quando as atividades foram divididas de maneira mais definida e a governança familiar passou a ser centralizada em Vitória. Atualmente, integrantes da família continuam trabalhando ao lado de executivos contratados no mercado.
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