O avanço das investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis trouxe à tona uma preocupação que vai além da criminalidade: os impactos diretos para o consumidor final. De acordo com especialistas, o combustível adulterado comercializado pela facção criminosa pode gerar graves danos mecânicos, reduzindo a vida útil de veículos e causando prejuízos de alto custo para motoristas.
Entre as irregularidades mais comuns está o uso de metanol em proporções muito acima do permitido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) — em alguns casos, até 90%, quando o limite legal é de apenas 0,5%. Essa adulteração compromete a qualidade do combustível e afeta diretamente o funcionamento do motor.
Os riscos incluem:
- Desgaste prematuro do motor, com perda de potência e falhas na combustão;
- Aumento do consumo de combustível, já que a mistura adulterada rende menos;
- Danos aos bicos injetores, bomba de combustível e catalisador, peças de alto valor para substituição;
- Risco de superaquecimento e pane completa do motor, exigindo reparos caros ou até a troca do conjunto.
Além dos prejuízos financeiros, há também o perigo à segurança viária. Veículos que apresentam falhas mecânicas em razão de combustível adulterado podem sofrer paradas inesperadas em rodovias, aumentando o risco de acidentes.
Diante desse cenário, órgãos de defesa do consumidor e entidades do setor automotivo reforçam a importância de abastecer apenas em postos de confiança, verificar sempre a nota fiscal e desconfiar de preços muito abaixo do mercado.
A descoberta de como o PCC expandiu seus negócios no setor de combustíveis evidencia não apenas a complexidade das operações criminosas, mas também como os efeitos chegam diretamente ao bolso e à segurança dos cidadãos comuns.

