
Motoristas estão suspendendo a traseira dos caminhões para andar com a carga mais pesada e enganar a fiscalização nas estradas. Só que essa alteração aumenta o perigo para os carros que vêm logo atrás.
Nas estradas, o perigo pode estar bem à sua frente e você nem sabe. É possível ver vários caminhões com a parte traseira mais alta. A alteração, apesar de irregular, é comum nas rodovias brasileiras. “Tem muitos caminhões assim, tem muitos”, diz um motorista.
Para ficar com a frente rebaixada e a parte traseira mais alta, os caminhoneiros mexem na suspensão. O problema é que na maioria das vezes a altura do para-choque até o chão fica acima do que determina a lei.
Para-choques de caminhões fabricados até 2004 devem ter uma altura de até 55 centímetros. De 2005 em diante, a altura deve ser de 40 centímetros.
Quando o caminhoneiro mexe na suspensão e deixa a traseira e o para-choque mais altos ele acaba eliminando uma espécie de barreira. No caso de uma batida, o carro que estiver atrás pode entrar embaixo do caminhão, o que diminui as chances de o motorista e do passageiro sobreviverem.
“A traseira do caminhão, por estar excessivamente elevada, acaba por acarretar um efeito guilhotina e decapitando os condutores dos veículos pequenos no caso de uma colisão traseira”, explica um policial rodoviário federal.
A elevação é feita com a colocação de calços nas rodas traseiras ou com aumento do número de molas na suspensão. A prática é uma tentativa de disfarçar o excesso de carga e driblar a fiscalização.
Quando o caminhão está mais pesado do que deveria, a tendência é a parte traseira da carroceria ficar mais baixa. Com a alteração, o nível fica normal, mesmo com excesso de carga, não chamando assim a atenção dos policiais.
Numa fiscalização de rotina na BR-153, que corta o país de norte a sul, em menos de uma hora os policiais rodoviários federais flagraram sete caminhões com o para-choque fora das medidas.
Um deles está seis centímetros acima do permitido. O veículo irregular vai ser multado e o documento retido até ser regularizado.
O caminhoneiro de Milton Maia também estava irregular, agora ele vai ter que retirar as molas a mais que colocou: “Vai fazer um multa que não tem jeito. Eu vou retornar amanhã e baixar os três centímetros e para poder tirar o documento de novo”, promete.
A multa é de R$ 127 e o motorista perde cinco pontos na carteira.
Fonte: G1
Esta publicação foi modificada pela última vez em 27 de agosto de 2021 12:40
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