
Foto: Gilson Teixeira/Secap
O início de 2025 trouxe um novo desafio para os setores de transporte e logística no Brasil: o aumento significativo no preço do diesel. O combustível, essencial para a circulação de mercadorias e transporte de passageiros, alcançou em janeiro o preço médio de R$ 6,10 por litro, segundo dados da Petrobras. Este índice reflete uma tendência de alta observada desde o último trimestre de 2024.
Os fatores por trás da alta
Entre os principais fatores que influenciaram a elevação está a valorização do dólar, que atingiu R$ 6,26 em dezembro de 2024. A moeda estrangeira impacta diretamente o custo de importação de combustíveis, aumentando a defasagem dos preços internos em relação ao mercado internacional. Essa defasagem chegou a 14% no final do ano passado, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), pressionando a Petrobras e outras refinarias a realizarem ajustes nos valores.
Outro ponto crítico foi a política de reajustes semanais implementada pela Acelen, controladora da Refinaria de Mataripe. Em dezembro, a empresa anunciou um aumento de R$ 0,08 por litro no diesel. A Refinaria de Mataripe responde por cerca de 14% da produção nacional, e seus reajustes têm influência significativa no mercado.
Impactos no transporte e na economia
O setor de transporte de cargas é um dos mais afetados pela alta do diesel, já que o combustível representa até 40% dos custos operacionais das empresas do segmento. Caminhoneiros e transportadoras relatam dificuldades em manter margens de lucro, e muitos já indicam que repassarão os custos adicionais aos consumidores finais.
“A cada aumento no diesel, nosso poder de barganha com os clientes diminui. No final, quem paga a conta é o consumidor, que encontra produtos mais caros nas prateleiras”, afirma Carlos Alberto Freitas, caminhoneiro autônomo que atua na rota entre São Paulo e Goiás.
O reflexo no custo de vida também é evidente. Com o aumento dos custos logísticos, produtos essenciais como alimentos e medicamentos sofrem reajustes, agravando ainda mais a inflação. Estudos do setor econômico apontam que o índice de preços ao consumidor pode sofrer um impacto de até 0,3% no primeiro trimestre de 2025 devido à alta do combustível.
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