Transportadora

Correios voltam a atrasar repasses mesmo após acordo bilionário

Mesmo após firmar um acordo para quitar parte de uma dívida histórica com o fundo de pensão dos funcionários, os Correios voltaram a atrasar repasses ao Postalis. Segundo o fundo, já são dois meses de inadimplência em dois dos principais planos previdenciários da estatal.

De acordo com fontes ligadas ao Postalis, os valores em atraso somam cerca de R$ 137 milhões. São eles:

  • Postalprev: R$ 42,2 milhões
  • Plano de Benefício Definido (BD): R$ 95,5 milhões

A dívida se refere às contribuições dos meses de março e abril, que ainda não foram quitadas. A previsão é de que a parcela de maio vença no 5º dia útil de junho. Funcionários do setor financeiro da empresa confirmaram os valores sob condição de anonimato.

Em 2023, os Correios assinaram um contrato de confissão de dívida com o Postalis no valor de R$ 7,6 bilhões, equivalente a metade do déficit acumulado pelo plano BD, fechado a novos participantes desde 2008. A outra metade ficou a cargo dos próprios funcionários, aposentados e pensionistas, por meio de descontos diretos na folha de pagamento.

O rombo do Postalis tem origem, principalmente, em perdas com investimentos considerados malsucedidos entre 2011 e 2016, período em que a estatal era administrada por indicados políticos durante o governo Dilma Rousseff. Essas perdas somam, em valores corrigidos, mais de R$ 9 bilhões.

Enquanto os funcionários seguem pagando em dia suas contribuições, os atrasos por parte da estatal têm gerado insatisfação. Há servidores que defendem medidas judiciais contra antigos gestores do fundo, antes mesmo da confissão integral da dívida pelos Correios.

O presidente da estatal, Fabiano Silva dos Santos, foi indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Advogado e ex-militante do PT, Fabiano ficou conhecido por integrar o coletivo jurídico Prerrogativas. Sua gestão é marcada por forte discurso contra a privatização, mas enfrenta críticas internas pela condução financeira da empresa. Em 2024, os Correios registraram o maior prejuízo da sua história.

Com os atrasos, a estatal acumula encargos:

  • Postalprev: juros de 1% ao mês e multa de 2%
  • Plano BD: juros de 0,03% ao dia e multa de 2%

Para evitar a judicialização, os Correios adotam uma estratégia de manter os débitos abaixo do limite de 90 dias de inadimplência. A expectativa é de que ao menos parte do valor em aberto seja paga em breve, antes que o prazo expire.

A gestão do Postalis também está sob pressão. O presidente do conselho deliberativo do fundo, Hudson Alves da Silva, será cobrado em reunião marcada para o dia 28 de maio. Hudson ocupa, simultaneamente, o cargo de superintendente executivo de finanças dos Correios.

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

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