
Foto: Reprodução / Autos & Curiosidades BR
O setor de transporte rodoviário de cargas tem enfrentado uma onda crescente de dificuldades financeiras em 2024 e 2025. Reflexo disso é o aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial e falência entre empresas do ramo. Segundo especialistas do setor, a alta nos custos operacionais, queda na demanda e a concorrência desleal com empresas informais e plataformas digitais têm pressionado as margens das transportadoras, levando muitas ao colapso financeiro.
De acordo com dados da Serasa Experian, o Brasil registrou mais de 2.200 pedidos de recuperação judicial em 2024, um crescimento de quase 62% em relação ao ano anterior. Grande parte desse volume vem de empresas ligadas à cadeia logística, especialmente micro, pequenas e médias transportadoras.
Em fevereiro de 2025, a Mercopampa Transportes Ltda., com sede em Santa Catarina, entrou com pedido de recuperação judicial. Com um passivo estimado em R$ 95 milhões, a empresa alegou forte impacto da alta do diesel e da inadimplência de clientes como fatores principais para o colapso financeiro.
Já em março, foi a vez da Jotagu Transportes & Logística Ltda., com atuação em diversas regiões do país, pedir proteção judicial contra credores. O processo revelou dívidas superiores a R$ 20 milhões, envolvendo fornecedores, bancos e tributos em atraso.
Outro caso emblemático é o da Trans Isaak, no Paraná. Com dívidas superiores a R$ 82 milhões, a transportadora segue em processo de recuperação e apresentou um plano de reestruturação considerado viável pela Justiça. O caso ganhou destaque por mostrar que, mesmo em meio a dificuldades, é possível manter parte das operações e proteger empregos.
Em contrapartida, algumas empresas não resistem e encerram as atividades definitivamente. A tradicional Panazzolo Transportes, com décadas de atuação no Sul do país, entrou em processo de falência, com liquidação de ativos e pagamento aos credores por meio de leilões.
Entre os principais motivos que vêm levando transportadoras à insolvência estão:
Para o consultor financeiro especializado em transporte, Maxwell Barboza, a recuperação judicial tem sido a única saída para empresas que ainda têm estrutura, mas enfrentam desorganização financeira. “É uma forma de ganhar tempo e buscar equilíbrio, mas sem um plano realista, muitas acabam caminhando para a falência”, afirma.
Apesar do cenário negativo, analistas acreditam que ainda há espaço para reestruturação e inovação no setor, especialmente para empresas que investem em tecnologia, digitalização de processos, gestão eficiente da frota e diversificação de clientes.
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