Caminhão dos correios. Foto: reprodução
Os Correios anunciaram a suspensão do pagamento de aproximadamente R$ 2,75 bilhões em obrigações financeiras, devido à grave crise de liquidez enfrentada pela estatal, que acumula 11 trimestres consecutivos de prejuízo. O pacote de débitos engloba tributos federais (incluindo INSS patronal, PIS/Cofins e dívidas com a Receita Federal), repasses a planos de saúde e fundos de pensão, além de valores de fornecedores e benefícios a empregados.
Na composição do montante suspenso, destacam-se R$ 741 milhões de INSS patronal, R$ 652 milhões a fornecedores, R$ 363 milhões ao plano Postal Saúde, R$ 271 milhões a serviços “Remessa Conforme”, R$ 238 milhões em vale-alimentação/refeição, R$ 208 milhões de PIS/Cofins e mais R$ 138 milhões ao Postalis, soma que chega a R$ 2,75 bilhões. Cerca de 53% do total envolve multas e juros, sem afetar imediatamente a operação, segundo avaliação interna .
A medida foi tomada como estratégia para preservar o caixa e reequilibrar temporariamente o fluxo financeiro da empresa, conforme documento interno que trata de preservar a continuidade das operações. Também foram identificadas cobranças judiciais oriundas de prestadoras de serviços, somando cerca de R$ 104 milhões .
No primeiro trimestre de 2025, os Correios registraram prejuízo recorde de R$ 1,7 bilhão — o maior desde 2017 — agravando ainda mais a situação. A estatal prevê captar até R$ 1,8 bilhão em novos empréstimos, além de aguardar liberação de R$ 4,3 bilhões para projetos de reestruturação; porém, esses recursos não podem ser usados para cobrir déficits operacionais
A paralisação dos repasses pode comprometer fornecedores, a regularidade fiscal da empresa, serviços de saúde aos funcionários e a sustentabilidade dos planos de aposentadoria. Empresários e parceiros dos Correios foram alertados a monitorar a situação financeira da estatal.
A crise expõe fragilidades profundas na gestão da estatal, que precisa agora equilibrar custos fixos elevados com a queda da demanda por serviços postais e a concorrência crescente, esperando que ações imediatas e medidas estruturais garantam a continuidade dos serviços considerados essenciais.
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