Apesar de serem responsáveis por movimentar mais de 60% das cargas no Brasil e essenciais para a economia nacional, os caminhoneiros continuam sendo esquecidos pelas autoridades. Estradas em péssimas condições, falta de segurança, jornadas exaustivas e políticas públicas praticamente inexistentes são apenas alguns dos problemas enfrentados por quem vive nas estradas. Mas por que, mesmo com tamanha importância, a categoria segue ignorada pelos políticos?
A resposta pode estar na baixa participação política da categoria. Muitos caminhoneiros, cansados da falta de resultados concretos e desacreditados no sistema, acabam não votando ou sequer se envolvendo em pautas eleitorais. Esse distanciamento acaba refletindo diretamente na forma como os políticos enxergam os profissionais do volante: como um grupo sem força eleitoral real.
Nos bastidores da política, o voto ainda é a principal moeda de troca. Grupos organizados, com presença ativa em eleições e com representantes eleitos, conseguem pressionar e conquistar espaço. Já os caminhoneiros, mesmo sendo milhões, não têm uma bancada forte, não possuem lideranças com voz em Brasília e, muitas vezes, são manipulados com promessas vazias em anos de eleição.
Enquanto isso, as conquistas da categoria vêm a passos lentos, quando não retrocedem. Benefícios como aposentadoria especial, políticas de incentivo ao autônomo e melhorias nas rodovias são constantemente ignorados.
Outro ponto que pesa contra os caminhoneiros é a falta de organização em nível nacional. A categoria é pulverizada, dividida entre autônomos, agregados e celetistas, o que dificulta uma mobilização eficiente. Muitos sindicatos não representam de fato os interesses dos trabalhadores e, por isso, a luta por melhorias se torna ainda mais difícil.
A conscientização política da categoria é fundamental. É preciso entender o poder que o voto tem e como a união pode transformar a realidade das estradas. Se os caminhoneiros votarem em representantes legítimos, que conheçam as dores do setor e estejam comprometidos com a pauta do transporte rodoviário, o jogo político pode virar.
Chegou a hora de parar de ser apenas peça na engrenagem e começar a ser voz ativa nas decisões do país.
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