Falta motorista ou valorização aos caminhoneiros? Uma crise que vai além da boleia

Empresa alemã decide recrutar caminhoneiros na África
Foto: Reprodução / Internet

O Brasil vive um paradoxo no setor de transportes: ao mesmo tempo em que há escassez de motoristas profissionais, milhares de caminhoneiros relatam desvalorização, baixos ganhos e condições precárias de trabalho. A pergunta que fica é — o problema está na falta de profissionais ou na falta de reconhecimento?

Nos últimos anos, transportadoras e embarcadores vêm enfrentando dificuldades para preencher vagas. Muitos motoristas experientes estão abandonando o volante em busca de empregos mais estáveis e com melhor qualidade de vida. O alto custo do diesel, o desgaste físico e mental e a ausência de políticas de apoio eficazes têm contribuído para esse êxodo silencioso.

Enquanto isso, empresas tentam atrair novos profissionais, inclusive com pouca experiência, para suprir a demanda crescente. Mas o desafio vai além do recrutamento — trata-se de reconstruir o prestígio de uma profissão que move o país, mas raramente é tratada com o respeito que merece.

Os caminhoneiros são o elo vital da economia brasileira, responsáveis por transportar cerca de 65% de toda a carga nacional. No entanto, enfrentam estradas perigosas, falta de segurança, poucos pontos de parada e longas jornadas sem o devido amparo.

Valorizar o caminhoneiro é mais do que pagar fretes justos — é oferecer dignidade, condições seguras e reconhecimento social. A falta de motoristas é apenas o sintoma de um problema muito mais profundo: o esquecimento de quem carrega o Brasil nas costas.