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André Hengles desaparece com dinheiro de dezenas de clientes em Mogi e deixa caminhoneiros e empresários no prejuízo

O que parecia ser mais um negócio entre caminhoneiros e comerciantes de caminhões usados acabou virando um dos maiores golpes envolvendo veículos de carga no interior de São Paulo em 2025. André Hengles de Oliveira Silva, empresário ligado à empresa Mogitrucks, desapareceu depois de receber grandes quantias de dinheiro de dezenas de clientes em Mogi das Cruzes e outras cidades, deixando um rastro de prejuízo, desconfiança e famílias preocupadas com o futuro.

O caso começou a ganhar destaque depois que várias pessoas procuraram a polícia relatando que caminhões comprados há meses jamais tiveram a documentação transferida ou sequer foram entregues com a garantia combinada. Em muitos casos, as vítimas pagaram centenas de milhares de reais antecipados, acreditando estar fazendo negócios legítimos com alguém conhecido no meio, até então,como um vendedor confiável.

Entre os relatos mais impactantes está o de Gilberto Galdino, caminhoneiro e empresário de Sumaré. Depois de anos na estrada, ele investiu R$ 2,3 milhões na compra de seis carretas seminovas com a ajuda de um intermediário que apresentou André Hengles como responsável pela negociação. “Passei a vida juntando dinheiro para garantir um futuro melhor. Usei até o valor da venda da colheita para fazer essa compra, achando que estava investindo no meu sustento. Hoje minhas carretas nem existem no meu nome e constam como roubadas”, disse Gilberto emocionado.

Segundo as investigações, a Mogitrucks teria retirado 51 caminhões de uma loja autorizada em São Paulo, exibindo os veículos apenas como vitrine, mas sem a devida autorização para revenda. Em seguida, os caminhões foram enviados a várias partes do estado e vendidos rapidamente para terceiros, tudo sem a transferência dos documentos e sem qualquer segurança jurídica para os compradores.

Outro caso grave é o de Vladimir, dono de empresa de transporte em Mogi das Cruzes. Ele comprou três carretas grandes por meio de André, e apenas uma tinha documentação regular. As outras duas apareceram nos sistemas policiais como carros com registro de roubo, impedindo Vladimir de usá-las nas operações por mais de 90 dias. “Perco em média R$ 250 mil por mês por não poder trabalhar com esses caminhões”, lamenta.

O golpe não atingiu apenas caminhoneiros. Empresários de pequenas e médias transportadoras também relatam prejuízos gigantescos e um sentimento de impotência diante da falta de respostas imediatas das autoridades.

Investigação e denúncias

A polícia civil, através do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), já recebeu mais de 18 relatos semelhantes, com vítimas de diversas cidades que dizem ter sido enganadas pelo mesmo homem. Existe suspeita de que funcionários da própria empresa estivessem envolvidos no esquema, facilitando retirada e envio dos caminhões sem documentação legal.

Em nota, a loja onde os caminhões estavam expostos afirmou que também foi vítima do golpe e garantiu que tomará todas as medidas legais contra os responsáveis.

O desaparecimento de André

Depois de realizar um casamento considerado luxuoso — que amigos próximos compararam ao preço de pelo menos três caminhões, André Hengles partiu para uma lua de mel e nunca mais foi visto ou localizado pelas vítimas. Familiares e pessoas que o conheciam disseram que desde então ele não atende mais ligações, mensagens ou aparece nas redes sociais.

A Justiça ainda tenta rastrear o paradeiro de André para que ele responda pelos prejuízos causados, assim como identificar se outras pessoas fazem parte da rede de venda irregular de caminhões.

Recomendações aos prejudicados

As autoridades recomendam que todas as pessoas que se sentirem vítimas desse golpe procurem imediatamente uma delegacia mais próxima e registrem um boletim de ocorrência com provas como comprovantes de pagamento, troca de mensagens e qualquer outra evidência da negociação.

Especialistas em direito e transportes alertam que, ao comprar veículos de terceiros, é fundamental exigir transferência imediata de documentação, verificar se o veículo não tem restrições ou registros de furto/roubo, e nunca pagar o valor total antecipado sem garantia jurídica.

O impacto do golpe

Além dos prejuízos financeiros que somam cerca de R$ 200 milhões, o caso evidencia uma fraqueza importante em transações desse tipo no país: a falta de fiscalização eficiente no comércio de caminhões usados e a facilidade com que golpistas podem operar explorando a confiança da categoria.

Empresários e caminhoneiros que perderam dinheiro esperam agora que a polícia e a Justiça funcionem rapidamente, com ressarcimento e punição dos envolvidos. Como disse Gilberto, “não queremos que isso aconteça com outras famílias. Trabalhamos duro para conquistar coisas que nos dão dignidade. Perder tudo assim parece um roubo. Só queremos Justiça.”

Esta postagem foi publicada em 25 de dezembro de 2025 09:00

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

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