Transportadora

O que realmente está por trás da saída da FedEx do Brasil

Nos últimos tempos, muita gente começou a se perguntar: o que levou a FedEx a sair do Brasil? Afinal, estamos falando de uma das maiores empresas de logística do mundo, presente em vários países e conhecida pela entrega rápida e eficiente.

Mas a verdade é que a saída da FedEx do mercado brasileiro não aconteceu de um dia para o outro. Ela foi resultado de uma soma de fatores que, aos poucos, foram tornando a operação no Brasil cada vez mais difícil e menos vantajosa.

Um dos principais problemas sempre foi o alto custo para operar no país. O Brasil tem impostos elevados, burocracia pesada e regras que mudam o tempo todo. Para uma empresa internacional, isso complica muito a conta. Manter centros de distribuição, frota própria, funcionários e ainda competir com empresas locais acaba ficando caro demais.

Outro ponto importante foi a concorrência forte no mercado interno. Transportadoras brasileiras cresceram muito nos últimos anos, principalmente aquelas ligadas ao e-commerce. Empresas que atendem Mercado Livre, Shopee, Amazon e grandes varejistas passaram a operar com logística própria, entregas mais rápidas e preços mais baixos. Isso tirou espaço das gigantes internacionais.

Além disso, a FedEx tinha no Brasil um modelo muito focado em remessas internacionais e clientes corporativos. Só que o mercado mudou. Hoje, quem manda no volume são as entregas nacionais, rápidas e baratas. E nesse cenário, empresas locais conseguem se adaptar melhor às estradas ruins, aos riscos de roubo de carga e às longas distâncias.

Outro fator que pesou foi a infraestrutura do país. Estradas mal conservadas, altos índices de roubo, custos com seguro e combustível caro tornam qualquer operação logística um desafio diário. Para uma multinacional, o risco acaba não compensando o retorno.

Com tudo isso junto — custo alto, concorrência agressiva, mudança no perfil do consumidor e dificuldades estruturais — a FedEx começou a reduzir operações, fechar unidades e repensar sua presença no Brasil. No fim das contas, a decisão foi mais estratégica do que emocional: não valia mais a pena insistir.

A saída da FedEx mostra uma realidade dura do setor logístico brasileiro. Aqui, quem sobrevive é quem conhece o chão da estrada, sabe lidar com imprevistos e consegue operar com margem apertada. Para muitas empresas globais, isso simplesmente não fecha a conta.

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

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