
Foto: Reprodução / Jornal Nacional - G1
O escoamento da safra recorde de 2026 no Maranhão está sob ameaça. Nas últimas semanas, a BR-135, principal artéria logística que liga o sul do estado ao Porto do Itaqui, tornou-se palco de ações criminosas extremamente violentas. Caminhoneiros relatam uma nova modalidade de crime: ataques coordenados com veículos em movimento e uso de fuzis para forçar a parada das carretas.
Diferente dos furtos silenciosos em pátios de postos, os novos ataques ocorrem à luz do dia ou no início da noite. Criminosos em caminhonetes de alta potência emparelham com os caminhões carregados de soja e disparam contra os pneus e a cabine.
“Eles não querem apenas a carga, eles atiram para matar se você não parar imediatamente. Perdi um colega de trecho semana passada por causa de dois sacos de soja. O sentimento é de abandono total”, desabafa um motorista que preferiu não se identificar por medo de represálias.
Após a interceptação, os criminosos utilizam equipamentos de sucção de alta velocidade para transbordar a carga para outros caminhões menores em poucos minutos, desaparecendo por estradas vicinais antes da chegada da polícia.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) mapeou os pontos críticos onde a vigilância deve ser redobrada. O relevo acidentado e a falta de sinal de celular em determinados pontos facilitam a ação das quadrilhas:
O setor de transporte estima que o prejuízo com o roubo de cargas no Maranhão já ultrapassou os R$ 18 milhões apenas neste primeiro trimestre de 2026. Esse valor reflete não apenas a perda dos grãos, mas também:
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que intensificou o patrulhamento com o uso de drones e forças de elite em pontos estratégicos. A PRF também iniciou a Operação Safra Segura, visando desarticular os receptadores, que são o destino final da soja roubada.
“Estamos focando na inteligência. A soja roubada precisa ser lavada em empresas de fachada para entrar no mercado legal de novo. É aí que vamos sufocar o crime organizado”, afirmou um inspetor da PRF.
Enquanto as soluções de segurança não surtem efeito prático no asfalto, o caminhoneiro segue sendo o elo mais fraco e exposto da corrente logística. A “Rota da Soja”, essencial para a economia brasileira em 2026, corre o risco de se tornar uma via intransitável se o Estado não retomar o controle das estradas maranhenses.
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