O Governo Lula cumpriu as promessas feitas aos caminhoneiros?

Entre a desoneração do diesel, a revisão da tabela do frete e a melhoria das BRs, analisamos o que saiu do papel e o que ainda gera críticas na categoria.
Desde a campanha eleitoral de 2022, a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os caminhoneiros tem sido monitorada de perto. A categoria, que possui um peso político decisivo no Brasil, recebeu uma série de promessas focadas no custo operacional e na qualidade de vida.
Agora, em abril de 2026, com o mandato entrando em sua reta final, o cenário é de avanços em algumas áreas e estagnação em outras. Confira o balanço do que foi cumprido e o que permanece na lista de cobranças.
1. O Preço do Diesel e a Política da Petrobras
Uma das principais bandeiras de campanha era o “abrasileiramento” dos preços dos combustíveis, abandonando o Preço de Paridade de Importação (PPI).
- O que foi feito: A Petrobras alterou sua política comercial em 2023, reduzindo a volatilidade extrema. Em 2026, o preço do diesel estabilizou em patamares inferiores aos picos de 2022, mas a inflação global e o valor do barril de petróleo ainda impedem uma queda drástica.
- O veredito: Parcialmente cumprida. O motorista não sofre mais com reajustes diários, mas o custo do combustível ainda consome cerca de 40% a 50% do valor do frete.
2. Recuperação das Rodovias (O “PAC” do Asfalto)
Lula prometeu retomar os investimentos em infraestrutura para reduzir o custo de manutenção dos veículos.
- O que foi feito: Através do Novo PAC, houve uma retomada de obras em gargalos históricos, como a BR-163 e trechos da BR-364 (Acre). No entanto, como vimos em relatos recentes de motoristas em Manoel Urbano, muitos trechos ainda sofrem com o abandono.
- O veredito: Em andamento. Houve mais verba para o DNIT, mas a extensão territorial do Brasil faz com que a recuperação seja lenta diante da velocidade da degradação.
3. Tabela do Frete e Pontos de Parada
A revisão da tabela mínima do frete e a criação de pontos de parada dignos eram exigências centrais.
- O que foi feito: A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) atualizou os cálculos, mas a fiscalização do cumprimento do frete mínimo pelas transportadoras ainda é falha, segundo sindicatos. Quanto aos pontos de parada, a lei avançou, mas a infraestrutura real nos postos ainda depende muito de parcerias privadas.
- O veredito: Dívida Pendente. O caminhoneiro autônomo ainda se sente desprotegido na negociação direta com grandes embarcadores.
Quadro Comparativo: Promessas vs. Realidade (Abril/2026)
| Promessa de Campanha | Situação Atual | Percepção da Categoria |
| Fim do PPI (Combustíveis) | Implementado em nova política | Alívio, mas preço ainda é alto. |
| Crédito via BNDES (Finame) | Linhas de crédito reabertas | Bom para frotistas, difícil para autônomos. |
| Pontos de Parada e Descanso | Expansão lenta via concessões | Insatisfatória na maioria das BRs. |
| Renovação de Frota | Programa de incentivo lançado | Baixa adesão devido aos preços dos veículos. |
4. O Desafio da Carga Tributária
A promessa de simplificação tributária através da Reforma Tributária começou a ser implementada, mas o período de transição em 2026 ainda gera dúvidas sobre o real impacto no setor de serviços de transporte. A manutenção da desoneração de impostos federais sobre o diesel foi uma vitória política importante para o governo, evitando greves em momentos de tensão.
A Voz do Trecho: O que dizem os motoristas?
Apesar dos esforços institucionais, o sentimento nas estradas é misto. Enquanto as grandes transportadoras elogiam a estabilidade institucional e as linhas de crédito para novos caminhões Euro 6, o caminhoneiro autônomo ainda luta contra a insegurança (roubo de cargas) e a baixa rentabilidade.
“O governo olhou para as estradas, mas esqueceu que o caminhoneiro precisa de segurança para dormir e preço justo para comer. O asfalto melhorou em alguns lugares, mas o medo de ser assaltado só aumentou”, comenta um motorista de cooperativa.