Caminhoneiros estão usando Moujaro para perder barriguinha

O uso de medicamentos para emagrecer virou assunto entre caminhoneiros que passam vários dias viajando e encontram dificuldade para manter uma alimentação equilibrada. A busca cresce em uma categoria marcada por longas jornadas, sedentarismo e poucas oportunidades de acompanhamento médico.
Uma nota técnica do Ministério da Saúde aponta que 74,1% dos caminhoneiros apresentam sobrepeso ou obesidade. O documento também relaciona a rotina nas rodovias à alimentação precária, ao sono irregular e à exaustão física.
Entre os medicamentos mais comentados está o Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida. O produto já era usado contra diabetes tipo 2 e, em junho de 2025, recebeu autorização da Anvisa para controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso acompanhado de algum problema relacionado ao peso. O tratamento deve estar ligado à redução de calorias e ao aumento da atividade física.
No estudo SURMOUNT-1, publicado no New England Journal of Medicine, a perda média de peso após 72 semanas variou de 15% a 20,9%, conforme a dose utilizada. O grupo que recebeu placebo perdeu, em média, 3,1%. Os participantes tiveram acompanhamento clínico durante o estudo, o que não deve ser comparado com o uso por conta própria.
Para quem dirige profissionalmente, os possíveis efeitos adversos merecem atenção. A Anvisa informa que foram relatados náusea, vômito, diarreia, tontura, hipotensão, desidratação e desconfortos gastrointestinais. Um motorista que apresente fraqueza, tontura ou mal-estar pode ter sua capacidade de condução prejudicada.
Desde junho de 2025, medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, incluindo a tirzepatida, só podem ser vendidos com retenção da receita médica. A medida foi adotada após o aumento de notificações de efeitos adversos ligados principalmente ao uso fora das indicações autorizadas.
O acompanhamento com endocrinologista também permite avaliar diabetes, pressão alta, apneia do sono, problemas renais e outros fatores que podem mudar a escolha da dose ou até impedir o tratamento.
Outro risco está na compra pela internet. Em 2026, a Anvisa determinou a apreensão de tirzepatida sem registro e de lotes falsificados do Mounjaro encontrados no mercado brasileiro. A orientação é comprar somente em farmácias regularizadas e conferir a procedência do medicamento.
O remédio não substitui alimentação adequada, descanso e atividade física. Para o caminhoneiro, o início ou aumento da dose deve ser planejado com acompanhamento médico, principalmente por causa das horas seguidas ao volante e da dificuldade de receber atendimento durante uma viagem.
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