Caminhoneiro

Caminhoneiros estão trocando a estrada por quais profissões?

O mercado já mostra os primeiros destinos da categoria

A profissão de caminhoneiro continua essencial para o Brasil, mas o número de motoristas habilitados vem caindo. Dados analisados pela ILOS mostram que o país saiu de 5,6 milhões de condutores nas categorias C e E em 2015 para 4,4 milhões em 2025, uma queda de 22% em dez anos.

Esse movimento não acontece por acaso. A rotina pesa. Na pesquisa Perfil do Caminhoneiro Brasileiro 2025, 73,8% apontaram insegurança e violência nas rodovias como um dos maiores problemas da profissão. Outros 66,9% citaram a má qualidade das estradas, 61,8% falaram no risco de acidentes e 57% destacaram o impacto de ficar longe da família.

A pergunta então mudou: se muitos estão deixando a boleia, para onde estão indo?

Os dados públicos não trazem um ranking fechado com a “profissão número 1” para onde todos migram. Mas os sinais do mercado apontam com bastante força para três destinos: transporte por aplicativo, logística operacional e funções com carteira assinada no transporte urbano e de passageiros. Essa leitura é sustentada pela queda na atratividade da estrada e pelo crescimento de ocupações vizinhas que aproveitam a mesma habilidade principal: dirigir e operar rotinas de transporte.

1. Motorista de aplicativo e entregas urbanas

O caminho mais visível é o trabalho por aplicativo. O IBGE informou que, em 2024, havia 824 mil pessoas trabalhando como condutores de automóveis por plataformas digitais no país. Esse número ajuda a explicar por que muitos profissionais do volante enxergam nos apps uma alternativa mais rápida de entrada e com mais flexibilidade de rotina.

Para parte dos caminhoneiros, a lógica é simples: continuar ganhando dinheiro dirigindo, mas sem passar dias fora de casa, sem enfrentar longas viagens e sem depender de uma operação tão pesada quanto a do transporte rodoviário de carga. Essa não é uma troca perfeita, mas é uma migração plausível e coerente com o que o mercado mostra hoje.

2. Vagas na logística

Outro destino provável é a logística. O setor segue abrindo vagas e absorvendo mão de obra em funções como auxiliar de logística, conferente, expedição, pátio e distribuição. Em São Paulo, por exemplo, auxiliar de logística apareceu entre as ocupações que mais criaram empregos em 2025, segundo a Agência SP.

Isso faz sentido porque muitos caminhoneiros já dominam prazos, carga, descarga, rota, documentação e pressão operacional. Ou seja: sair do caminhão não significa, necessariamente, sair do setor. Em muitos casos, significa migrar para uma função com base fixa, menos desgaste físico e mais previsibilidade.

3. Transporte de passageiros e empregos mais estáveis

Outra rota natural é o transporte de passageiros, especialmente em vagas formais. O mercado de transporte ainda sofre com falta de profissionais, e isso abre espaço para motoristas experientes buscarem postos com jornada mais organizada e renda mais previsível.

No fim, o que muitos motoristas parecem buscar não é apenas outra profissão, mas outra qualidade de vida. Menos risco, menos estrada ruim, menos distância da família e mais estabilidade. Os dados mostram que o problema da profissão não está só no volante, mas no conjunto da operação. E, quando esse conjunto deixa de compensar, a migração vira consequência.

A principais funcões adotados pelos caminhoneiros

Hoje, os sinais mais fortes indicam que os caminhoneiros que deixam a estrada tendem a migrar para três frentes: apps e entregas urbanas, logística operacional e funções mais estáveis no transporte. Talvez o ponto mais importante não seja exatamente para qual profissão eles vão, mas por que estão saindo: insegurança, desgaste, estrada ruim e busca por uma rotina menos sacrificante.

Esta publicação foi modificada pela última vez em 19 de abril de 2026 18:20

Ildemar Ribeiro

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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