
Foto: Ilustrativa - Internet
A vida do caminhoneiro mudou muito. Hoje, não basta só pegar a estrada, cuidar do caminhão e entregar a carga. O motorista também precisa lidar com rastreador, aplicativo, prazo no sistema, mensagem da empresa, rota monitorada e cobrança o tempo todo. A tecnologia ajuda na segurança e no controle da carga, mas também aumentou a pressão em cima de quem está no volante.
O problema é que essa cobrança nem sempre vem junto com um salário melhor. Segundo dados reunidos pelo Quero Bolsa, o salário médio de caminhoneiro no Brasil fica em torno de R$ 2.443,46, com base em contratações do último ano. Para uma profissão que exige responsabilidade, risco, viagem longa e noites fora de casa, muita gente da estrada olha esse valor e sente que a conta não fecha.
Na prática, o caminhoneiro sai cedo, pega fila para carregar, espera para descarregar, enfrenta trânsito, buraco, pedágio, fiscalização e ainda precisa cumprir horário. Se atrasa, cobra. Se para, cobra. Se o caminhão quebra, o prejuízo aparece rápido. E mesmo com tanta tecnologia dentro da operação, quem segura o volante continua sendo o motorista.
Entre os autônomos, a situação também é pesada. Uma pesquisa da CNTA apontou que caminhoneiros autônomos trabalham, em média, 14 horas por dia e 25 dias por mês, e muitos aceitam frete abaixo do piso por necessidade. Isso mostra uma realidade dura: tem motorista rodando muito, descansando pouco e ganhando menos do que deveria.
A tecnologia no transporte não é ruim. Ela pode ajudar a evitar roubo, melhorar rota e dar mais controle para a empresa. Mas quando ela vira só ferramenta de cobrança, o caminhoneiro sente o peso. O setor precisa entender que caminhão moderno, sistema bonito e carga rastreada não resolvem tudo se o motorista continua cansado, mal pago e sem reconhecimento na estrada.
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