Caminhão

Excesso de peso pode entortar o chassi do caminhão e transformar o frete em prejuízo

Rodar acima do limite parece vantagem na hora do carregamento, mas pode causar trinca, desgaste, multa e até retenção do caminhão.

Na estrada, muita gente pensa que carregar um pouco a mais ajuda a aproveitar melhor o frete. Só que o excesso de peso pode sair caro para o caminhoneiro e para a transportadora. O caminhão foi feito para trabalhar dentro de um limite, e quando passa desse ponto, o chassi, a suspensão, os freios, os pneus, o motor e a transmissão começam a sofrer mais do que deveriam.

O problema no chassi é um dos mais sérios. Quando o caminhão roda pesado demais, as longarinas podem trabalhar no limite, sofrer empenamento, trincas e desalinhamento. Isso não aparece sempre no primeiro dia, mas vai cobrando a conta aos poucos. O caminhão começa a ficar mais duro, torto, gastando pneu errado e exigindo manutenção cada vez mais cara. Especialista da Nakata explicou que o excesso de peso pode levar peças ao limite e até causar empenamento das longarinas do chassi.

O chassi sente o peso da viagem inteira

O chassi é como a base do caminhão. É ele que segura a cabine, motor, carroceria e carga. Quando o peso passa do permitido, principalmente se estiver mal distribuído, uma parte do caminhão pode receber mais força do que a outra. Aí começa o risco de trinca, torção e desgaste fora do normal.

Na rotina da estrada, isso aparece de várias formas. O caminhoneiro pode sentir o bruto puxando para um lado, perceber barulho diferente, ver pneu comendo torto ou notar que a suspensão não trabalha mais como antes. Se continuar rodando assim, o prejuízo aumenta. O que era só uma viagem pesada pode virar oficina, caminhão parado e frete perdido.

Não é só o chassi que sofre

O excesso de peso também força a suspensão. Molas podem perder a curvatura, trincar ou quebrar. Amortecedores podem vazar, pneus podem superaquecer e estourar, e os freios precisam trabalhar muito mais para segurar o caminhão. Isso é perigoso principalmente em descida, curva, chuva ou quando aparece uma freada de emergência.

O DNIT alerta que o excesso de carga compromete a frenagem e a estabilidade do caminhão, aumentando o risco de sinistros. O órgão também informa que motor, transmissão, freios, suspensão e pneus têm a vida útil reduzida quando o veículo roda com peso acima do permitido.

Carga mal distribuída piora ainda mais

Não basta olhar só para o peso total. A forma como a carga é colocada também pesa muito. Quando a carga fica concentrada em um ponto, o caminhão pode ficar desequilibrado. Isso aumenta o risco de tombamento, força mais alguns eixos e pode castigar ainda mais o chassi e a suspensão.

Por isso, o carregamento precisa ser bem feito. Carga mais pesada deve ficar bem posicionada, com equilíbrio na carroceria e bem amarrada. Se a carga se mexe durante a viagem, o caminhão pode perder estabilidade e ficar ainda mais difícil de controlar. A Iveco também alerta que excesso de peso reduz a eficiência dos freios, aumenta o risco de tombamento e eleva o consumo de combustível.

A balança pode parar a viagem

Além do prejuízo mecânico, tem a parte da fiscalização. Segundo o DNIT, o transporte com excesso de peso é infração média e o veículo só pode seguir viagem depois de descarregar o que passou do limite permitido. O transbordo fica por conta do proprietário do veículo, e o caminhão pode ser removido se a situação não for resolvida.

Isso pesa muito na vida de quem vive de frete. O caminhoneiro já enfrenta espera para carregar, fila para descarregar, posto caro, diesel alto e prazo apertado. Se cair na balança com excesso, a viagem pode virar um transtorno: multa, transbordo, caminhão parado, diária perdida e risco de atraso na entrega.

O barato pode sair muito caro

O excesso de peso pode até parecer vantagem na hora de fechar o frete, mas a conta chega na estrada. O chassi pode empenar, a suspensão pode quebrar, o pneu pode estourar, o freio pode perder eficiência e o motor pode trabalhar forçado demais. Para quem depende do caminhão rodando, qualquer dia parado na oficina é dinheiro que deixa de entrar.

No fim das contas, carregar acima do limite não é só uma questão de multa. É risco para o caminhoneiro, para a carga, para a estrada e para todos que passam ao lado. Um frete um pouco mais pesado pode virar um prejuízo grande quando o chassi começa a reclamar.

Ildemar Ribeiro

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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